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Denúncias de tortura contra imigrantes abalam país europeu

Pelo menos 22 pessoas relataram ter sofrido espancamentos, assédio, humilhações, roubo e confisco de dinheiro, bem como a suposta destruição de celulares por militares que patrulham a cidade.
Denúncias de tortura contra imigrantes abalam país europeuGettyimages.ru / Marcos Moreno/Europa Press

O Ministério da Defesa da Espanha encaminhou ao Ministério Público e ao Juizado de Plantão de Ceuta um relatório da Anistia Internacional (AI) sobre supostas torturas cometidas por militares contra imigrantes que chegaram em massa na cidade. A informação foi revelada pelo jornal El País, nesta quarta-feira (30).

Segundo a reportagem, um porta-voz do Ministério confirmou que o Comando de Operações havia sido instruído a "investigar e esclarecer possíveis responsabilidades individuais, para preservar a boa conduta e a reputação das Forças Armadas".

A organização denunciou torturas, "tratamentos cruéis, desumanos e degradantes" e "abusos" em Ceuta, onde, no final de julho passado, mais de 80 mil pessoas sem documentos cruzaram a fronteira vindo do Marrocos, desencadeando uma grave crise humanitária que ainda não foi resolvida.

Entre 10 e 15 de setembro, a organização entrevistou mais de 65 migrantes e requerentes de asilo, que descreveram atos de violência e tratamentos humilhantes por parte dos militares, inclusive contra mulheres e crianças.

Pelo menos 22 pessoas relataram ter sofrido espancamentos, assédio, humilhações, roubo e confisco de dinheiro, bem como a suposta destruição de celulares por militares que patrulham a cidade.

Além disso, a AI denuncia especificamente a falta de proteção e os riscos enfrentados por mulheres e meninas, bem como os discursos de ódio incentivados por partidos políticos e autoridades que, na avaliação da organização, alimentam o racismo, a xenofobia e a islamofobia.