O mundo se dirige a um desastre, em meio à modernização dos arsenais nucleares e ao desmoronamento dos mecanismos de controle, advertiu o secretário-geral da ONU, António Guterres, na terça-feira (29).
"Estamos diante do momento nuclear mais perigoso desde o fim da Guerra Fria", afirmou o chefe da organização em sessão plenária por ocasião do Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares.
Guterres indicou que os arsenais nucleares "estão sendo ampliados e modernizados", enquanto a ameaça de erros e cálculos equivocados cresce devido aos avanços tecnológicos. Acrescentou que, ao mesmo tempo, as "salvaguardas" construídas para conter esses riscos estão desmoronando.
O alto oficial lembrou ainda que o START III ou New START (Tratado de redução de Armas Estratégicas) expirou no início deste ano, levando o mundo a um ambiente sem limites juridicamente vinculantes para os arsenais nucleares estratégicos. Os participantes da 11ª Conferência de Exame do Tratado sobre a Não Proliferação das Armas Nucleares tampouco conseguiram alcançar um consenso, prosseguiu, destacando ainda que a Comissão de Desarmamento das Nações Unidas "voltou a concluir seu ciclo de três anos sem formular recomendações substantivas".
"Não se trata simplesmente de decepções diplomáticas: são sinais de alerta. As luzes vermelhas estão piscando. O aumento dos riscos e o desmoronamento das salvaguardas nos conduzem por um caminho de sentido único rumo ao desastre", advertiu Guterres.
A queda do último pilar
O New START expirou em 5 de fevereiro, deixando Moscou e Washington sem acordos juridicamente vinculantes sobre controle de armamentos e sem negociações formais destinadas à elaboração de um novo marco.
A situação poderia ter sido diferente se os Estados Unidos tivessem aceitado a proposta do presidente russo, Vladimir Putin, de manter voluntariamente, por um período adicional, os limites quantitativos sobre os arsenais nucleares estabelecidos pelo tratado.
Washington demorou a apresentar sua resposta, mantendo até o último momento a possibilidade de prorrogar essas restrições, mas optou por não fazê-lo.