Social-democratas pressionam por proibição do AfD na Alemanha

Segundo o Partido Social-Democrata, o Alternativa para a Alemanha, que ganhou força em eleições estaduais recentes, ameaça a democracia "por dentro" e "normaliza o racismo".

O Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) defendeu, em uma nota publicada na terça-feira (29), uma revisão formal que pode abrir caminho para a proibição do Alternativa para a Alemanha (AfD), após o partido de direita assumir a liderança das pesquisas nacionais.

Durante cúpula de dois dias em Bremen, líderes parlamentares do SPD no Bundestag, nos legislativos estaduais e no Parlamento Europeu classificaram o AfD como "partido de extrema direita", acusando-o de ameaçar a democracia "por dentro" e "normalizar o racismo".

A pressão ocorre depois das vitórias eleitorais do AfD na Saxônia-Anhalt e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental neste mês, onde obteve 43,8% e 38,2%, respectivamente. Enquanto isso, a União Democrata-Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, sofreu perdas significativas.

Pela lei alemã, apenas o Tribunal Constitucional Federal pode banir um partido. A medida exige mais do que visões anticonstitucionais: é preciso que o partido busque ativamente minar a ordem democrática e tenha potencial para atingir seus objetivos.

O maior fracasso da CDU

Pela primeira vez na história da Alemanha, a CDU ficou de fora de um parlamento regional: não atingiu os 5% mínimos nas eleições de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

A legenda teve apenas 4,9%, enquanto o AfD venceu com 38,2% e oSPD ficou em segundo, com 35,5%.

Assim que saíram as primeiras parciais, o chanceler Friedrich Merz chamou o resultado de "desastre".

A CDU também teve um mau resultado em Berlim, onde ficou em segundo lugar, com 18,8% dos votos, atrás do partido de esquerda Die Linke, que venceu as eleições regionais pela primeira vez com 25,7%.