
Irã pode se retirar do principal tratado nuclear: quais seriam as consequências?

O Parlamento do Irã está analisando um projeto de lei para que o país se retire do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).
O documento será apresentado à sessão plenária como uma questão de "extrema urgência", o que fará os deputados debaterem a matéria no mesmo dia.

A medida surge meses de guerra, iniciada por Estados Unidos e Israel sob o argumento não comprovado de que o Irã estava desenvolvendo armas nucleares. Teerã sempre negou a acusação e diz que seu programa nuclear é de natureza pacífica.
O que significa a intenção do Irã?
Aleksandr Yermakov, especialista do Conselho Russo de Assuntos Internacionais, acredita que o anúncio faz parte da estratégia diplomática de Teerã. "Mesmo na ausência de negociações diretas, as partes mantêm uma troca indireta de sinais. O padrão é o seguinte: o Irã apresenta propostas e, se não há progresso, aumenta a pressão, inclusive por meio de ameaças", explicou.
Ele esclareceu que a retirada do Tratado não aproximaria o país do desenvolvimento de armas nucleares. "A votação no parlamento, assim como a existência ou ausência do documento, não afeta os aspectos técnicos da questão. Fazer progressos reais nessa área exige um trabalho extenso e contínuo", observou o especialista.
Irã analisa as consequências
Ao anunciar a medida, o vice-presidente do Parlamento, Ali Nikzad, afirmou que o país estudaria as consequências internacionais dessa ação.
Moscouexpressou a esperança de que Teerã não se retirasse do tratado. "Não gostaríamos que o Irã se retirasse, visto que nossos amigos e parceiros sempre confirmam, em todos os níveis, que o Irã não está desenvolvendo armas nucleares", declarou o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov.
Menos razões para permanecer no TNP
Em março, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que a agressão dos EUA e de Israel contra o Irã causou enormes danos à reputação do TNP, pois ocorreu precisamente no momento em que estavam em andamento as negociações sobre o programa nuclear iraniano.
O Irã tinha afirmado não ver o sentido de permanecer membro do tratado. "Se nossa adesão ao tratado se resumir a um nome em um pedaço de papel, e não apenas formos incapazes de exercer nossos direitos previstos nele, como também estivermos sujeitos a agressões e violações, qual o sentido de sermos membros deste tratado?", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, em março.
A medida pode desencadear um efeito dominó na região. "Está cada vez mais difícil encontrar argumentos para o Irã permanecer no TNP, mas não podemos esquecer a possibilidade de um 'efeito dominó' na região. Se Teerã avançar em direção à energia nuclear, isso poderá alterar as estimativas de custos para a nuclearização em outros países. Isso, sem dúvida, terá um impacto muito negativo na segurança, tanto regional quanto globalmente", argumentou Dmitry Stefanovich, analista do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais da Academia Russa de Ciências, à RT.


