A Rússia é atualmente o país que mais constrói unidades nucleares no exterior, afirmou o presidente Vladimir Putin durante uma reunião com o chefe da estatal Rosatom, Alexey Likhachev, no Kremlin, nesta segunda-feira (28). Segundo o mandatário, a empresa utiliza tecnologias modernas e possui soluções que, em alguns casos, não estão disponíveis em outros países.
"Sei que os resultados são bons, tanto do ponto de vista econômico quanto no desenvolvimento de tecnologias, e que as perspectivas também são boas", disse Putin, ao comentar a atuação internacional da Rosatom.
A estatal russa mantém atualmente mais de 20 unidades de geração do tipo VVER em construção no exterior, segundo dados russos. São quatro unidades em cada um dos seguintes países: China, Índia, Turquia e Egito; e duas em Bangladesh, Hungria, Irã e Cazaquistão. Ao todo, 110 unidades de geração projetadas pela Rússia já foram construídas em diferentes países.
Os projetos estão concentrados principalmente no chamado Sul Global, com empreendimentos na Ásia, no Oriente Médio e na África. A Rosatom também presta assistência a países que desenvolvem suas próprias indústrias de energia nuclear. Em Bangladesh, o primeiro reator da usina de Rooppur concluiu recentemente sua primeira partida física.
A fórmula russa que atrai novos parceiros
Uma das principais vantagens da Rosatom é sua abrangência: a empresa pode participar de praticamente todo o ciclo de vida de uma usina nuclear, desde o treinamento de especialistas, projeto e construção, fornecimento de combustível, operação, gerenciamento de combustível irradiado e resíduos e, finalmente, o descomissionamento.
A Rússia é o único país que opera uma usina nuclear flutuante e, juntamente com a China, é uma das pioneiras na construção de pequenos reatores modulares. A Rosatom também está trabalhando em reatores de quarta geração, incluindo reatores rápidos como o BREST-OD-300, capazes de reutilizar o combustível nuclear e reduzir o volume de resíduos.
"Nos países onde atuamos, estamos criando indústrias inteiras, com suas próprias bases científicas e regulatórias, localizando a produção e treinando especialistas. Essencialmente, estamos criando soberania tecnológica para nossos parceiros", afirmou Likhachev anteriormente.