
Rússia denuncia Israel na ONU por assentamentos e mortes de civis palestinos

A vice-representante permanente da Rússia na ONU, Anna Evstigneeva, afirmou, nesta segunda-feira (28), que as autoridades israelenses, "ignorando as disposições das resoluções pertinentes do Conselho de Segurança", ampliam o controle administrativo e jurídico sobre a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental.
Segundo a diplomata, a construção e expansão de assentamentos ocorre em "ritmo recorde". Ela também criticou projetos de Tel Aviv, cuja implementação dividirá o território palestino em duas partes.
"O curso abrangente e consistente de Israel para criar realidades irreversíveis 'no terreno' constitui uma grave violação da resolução 2334 do Conselho de Segurança", sustentou Evstigneeva.

A resolução, aprovada em 2016, exige que Israel interrompa "imediata e completamente" as atividades de assentamento nos territórios palestinos ocupados. Para a representante russa, o documento "não é histórico, mas uma resolução vigente".
Situação em Gaza
Evstigneeva também criticou a situação em Gaza. "Apesar da entrada formal em vigor do regime de cessar-fogo, civis continuam morrendo diariamente no enclave", afirmou. Ela lembrou que mais de 1,4 mil pessoas foram mortas desde outubro de 2025 em decorrência de ataques israelenses.
A diplomata denunciou ainda "sérias restrições" à entrada de ajuda humanitária, citando a classificação de produtos como materiais de "duplo uso" e a não reabertura de todos os postos de passagem para Gaza.
Por fim, Moscou reiterou a defesa de uma solução de dois Estados. "Estamos convencidos de que a fórmula de dois Estados não tem alternativa", declarou Evstigneeva, segundo quem sua implementação permitiria garantir "paz duradoura e segurança para todos os povos do Oriente Médio".
