A Polônia mudará nos próximos dias os procedimentos de emprego de caças e helicópteros para permitir que pilotos ou o comando operacional decidam pelo abate de aeronaves estrangeiras consideradas hostis sem depender de identificação visual. A afirmação foi feita pelo vice-ministro da Defesa, Cezary Tomczyk, à mídia local nesta segunda-feira (28).
"Trata-se de permitir que o piloto ou o comandante operacional tome a decisão de abater uma aeronave estrangeira com base em leituras de radar ou outras informações que chegam ao sistema", explicou a autoridade polonesa.
Atualmente, segundo o vice-ministro, o padrão em tempo de paz é a identificação visual. A mudança prevê a adoção da chamada identificação positiva, na qual diferentes informações poderão ser usadas para determinar se uma aeronave representa uma ameaça.
Tomczyk afirmou que o piloto deverá dispor de "vários fatores que indiquem que pode se tratar de uma aeronave hostil". Entre os exemplos citados estão leituras de radar, entrada em uma zona de exclusão aérea e informações fornecidas pelo lado ucraniano.
Nessas circunstâncias, o piloto poderá "usar armamento à distância, utilizando para isso os sistemas do avião ou do helicóptero", acrescentou.
Regras de guerra
Tomczyk afirmou ainda que a alteração representa "uma certa novidade dentro de toda a OTAN".
Segundo ele, a identificação visual em tempo de paz é usada para reduzir o risco de erros, como confundir uma aeronave civil ou um caça aliado com um avião, helicóptero ou drone hostil.
"Até agora não utilizávamos esse tipo de possibilidade porque ela costuma ser reservada para estado de guerra ou lei marcial.", afirmou.
O vice-ministro informou que a decisão foi tomada pelo comandante operacional das Forças Armadas, general de divisão e piloto Ireneusz Nowak, e que as mudanças serão implementadas gradualmente.
Tomczyk fez as declarações durante uma cerimônia de assinatura de um acordo sobre a manutenção de motores no âmbito do programa de aquisição dos helicópteros AH-64 Apache. Na ocasião, afirmou que "todos os dias nossos pilotos, pilotos de caças e pilotos de helicópteros, defendem nosso espaço aéreo contra o que pode acontecer".