Kremlin comenta proposta de Trump para negociações de controle de armas entre EUA, Rússia e China

"No momento, do ponto de vista jurídico, essa questão está completamente sem solução", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comentou nesta segunda-feira (28) a proposta do presidente dos EUA, Donald Trump, de realizar negociações trilaterais sobre o controle de armas nucleares entre Estados Unidos, Rússia e China.

"As negociações sobre o controle de armas precisam ser retomadas, e precisam ser retomadas, por assim dizer, ontem. No momento, do ponto de vista jurídico, essa questão está completamente sem solução", afirmou Peskov.

Ele destacou, no entanto, que o processo será complexo e demorado. "É uma questão tão difícil que exige negociações longas e cuidadosas, com a participação de especialistas. Portanto, será um processo muito longo", explicou.

Sobre a possível participação da China, Peskov disse que Moscou conhece bem a posição de Pequim. Segundo ele, as autoridades chinesas afirmam que suas capacidades nucleares não são comparáveis às dos Estados Unidos e da Rússia e, por isso, não consideram necessário nem possível participar dessas negociações.

"Até o momento, não sabemos de nenhuma mudança na posição de nossos amigos chineses", acrescentou.

Erosão do controle nuclear

Rússia e Estados Unidos estão há mais de seis meses sem qualquer acordo formal em vigor sobre o controle de armamentos nucleares. 

O Tratado de Redução de Armas Estratégicas, o Novo START, expirou em 5 de fevereiro deste ano, e, desde então, não houve novas negociações substanciais nesse âmbito. 

Durante meses, Moscou defendeu a manutenção das principais restrições do tratado, mas Washington declinou da proposta — e o mundo se encontra agora, pela primeira vez desde a década de 1970, em uma situação que pode ser descrita como um verdadeiro vazio no controle de armas nucleares.

A Rússia sustenta que qualquer novo acordo sobre essa matéria deve levar em conta o equilíbrio estratégico global e, particularmente, o potencial nuclear dos Estados Unidos e de seus aliados da OTAN.

Ao mesmo tempo, a Rússia afirma que estaria disposta a considerar futuros mecanismos de controle de armas caso sejam criadas as condições adequadas e caso esses mecanismos levem em consideração o conjunto das capacidades estratégicas que afetam o equilíbrio da segurança europeia e mundial. 

'Alternativa' pouco realista e a posição da China

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, denunciou anteriormente que "os Estados Unidos saudaram publicamente a 'morte' do tratado, alegando que ele já não atendia às exigências de Washington para esse tipo de acordo, seja em alcance, em limites estabelecidos ou na composição dos participantes".

"Foi proposta uma 'alternativa' pouco realista: supostas negociações multilaterais condicionadas obrigatoriamente à participação da China, apesar da recusa categórica de Pequim", declarou.

"A posição da China sobre eventuais negociações trilaterais de controle de armas nucleares entre China, Estados Unidos e Rússia é clara: as forças nucleares da China e dos Estados Unidos não estão de forma alguma no mesmo nível, e não é justo nem razoável pedir que a China participe de negociações de desarmamento nuclear a esta altura", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian em fevereiro deste ano.