New York Times: Ucrânia vive a situação mais crítica desde início do conflito

O Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento reduziu a previsão de crescimento econômico para a Ucrânia, enquanto alguns economistas preveem crescimento zero até o final do ano.

A Ucrânia passa pela situação mais crítica do ponto de vista econômico desde o início do conflito contra a Rússia, de acordo com análise publicada no domingo (27) pelo New York Times.

O jornal baseou o levantamento em avaliações do Ministério da Economia da Ucrânia, em projeções do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD) e em entrevistas com economistas e representantes do setor empresarial.

Segundo estimativas do Ministério da Economia ucraniano, os prejuízos econômicos provocados pela ofensiva russa devem chegar a cerca de US$ 10 bilhões até o fim deste ano.

Boa parte parte do impacto, no entanto, é indireta, destaca o NY Times, e inclui queda nas vendas, interrupções nas atividades de empresas e problemas logísticos.

O BERD reduziu de 2,2% para 1,5% a previsão de crescimento da economia ucraniana neste ano. Economistas ouvidos pelo jornal são ainda mais pessimistas e avaliam que o país pode encerrar 2026 sem crescimento.

Dimitar Bogov, economista-chefe do BERD, afirmou que a escassez de mão de obra e a intensificação dos bombardeios colocam a Ucrânia em "seu período mais difícil" desde o início do conflito. Embora o poder de compra da população continue elevado, disse ele, a realidade é que as pessoas "não conseguem gastar".

Um dos principais desafios é manter o consumo, sustentado em parte pelos salários elevados pagos aos militares.

Segundo a análise do jornal, a Ucrânia ainda não corre risco de fome, mas tem uma economia fragilizada e uma base tributária menor, o que dificulta o financiamento do esforço de guerra.

Ataque contra civis