Israel teria ignorado alertas e não impediu ataques que desencadearam a guerra em Gaza por 'arrogância'

Multiplos avisos, incluindo informações apresentadas pelo chefe da inteligência egípcia poucos dias antes do ataque, teriam sido ignorados. A inação pode ter sido a causa da morte de ao menos 73 mil palestinos e mais de 1000 pessoas nos ataques de 7 de outubro de 2023.

Israel teria ignorado múltiplos alertas sobre os preparativos do Hamas para lançar o ataque de outubro de 2023, que deixou aproximadamente 1200 mortos. Entre elas informações apresentadas pelo chefe de Inteligência do Egito em pessoa poucos dias antes do incidente. Segundo informações do The Atlantic nesta sexta-feira (25), a "arrogância" israelense teria impedido que os avisos fossem levados à sério e medidas fossem tomadas.

O veículo alega que, em 26 de setembro de 2023, o chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, voou para Israel e transmitiu a mensagem de que o Hamas estava se preparando para um ataque. Para evitar o conflito, o chefe da inteligência recomendou a concessão de vantagens econômicas ao Hamas. Dois dias antes do ataque, em 5 de outubro, o Egito voltou a expressar suas preocupações a Israel sobre a instabilidade da situação.

Esse não foi o único aviso ignorado. Em setembro de 2023, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohammed bin Zayed Al Nahyan, alertou Netanyahu sobre o ataque por telefone, citando informações de inteligência do Egito e da Palestina. Um enviado das Nações Unidas no Oriente Médio também advertiu sobre a possibilidade de um conflito com "graves consequências". O chefe da inteligência jordaniana também transmitiu suas preocupações à Israel.

"Eles estavam confiantes — até mesmo arrogantes — de que tinham a situação sob controle", afirmou um ex-alto funcionário americano. "Autoridades atuais e antigas de Israel, países árabes e dos Estados Unidos me disseram que sentiram o mesmo em 2023: uma arrogância por parte de Netanyahu alimentada por uma convicção arraigada de que Israel tinha a vantagem sobre o Hamas", acrescentou.

A resposta militar israelense causou a morte de mais de 73.000 palestinos, que, segundo as alegações do The Atlantic, poderiam ter sido evitadas.