Na ONU, Rússia volta a apoiar candidatura do Brasil a assento no Conselho de Segurança

Para a diplomacia russa, a reforma da instituição não deve conceder assentos adicionais a países ocidentais, mas priorizar "o aumento da representação da Ásia, da África e da América Latina".

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, reiterou o apoio de seu país às candidaturas do Brasil e da Índia a assentos permanentes no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A declaração foi feita no sábado (26), durante discurso na Assembleia Geral.

"Nossa abordagem de princípio é que a reforma do Conselho de Segurança não pode prever quaisquer "cadeiras" adicionais para os países ocidentais, especialmente Alemanha e Japão, que enveredaram pelo caminho da militarização e do revanchismo", sustentou o ministro na ocasião.

Moscou considera necessária uma reforma da instituição, mas defenderá exclusivamente "o aumento da representação da Ásia, da África e da América Latina", prosseguiu. Nessa linha, Lavrov reiterou o apoio russo "às candidaturas do Brasil e da Índia a assentos permanentes".

Maior representação à África

O alto diplomata defendeu ainda que o Consenso de Ezulwini e a Declaração de Sirte, ambos adotados em 2005, sejam levados em consideração para atender aos interesses do continente africano.

Os documentos defendem maior representação da África no órgão, incluindo dois assentos permanentes com direito a veto e cinco assentos não permanentes para países africanos.

Apoio histórico ao Brasil

A Rússia tem reiterado em diversas ocasiões seu apoio ao Brasil como candidato a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Em janeiro de 2025, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, afirmou que Brasil e Índia "há muito tempo merecem" integrar o órgão nessa condição.

Na ocasião, Lavrov argumentou que "o Ocidente já não é capaz, como na época colonial, de impor suas ordens ao mundo e desviar a riqueza dos países da Ásia, África e América Latina", defendendo uma governança internacional mais alinhada à atual distribuição de poder global.

Mais recentemente, em fevereiro deste ano, Moscou voltou a classificar Brasília como um "forte e natural candidato a membro permanente" em uma declaração conjunta sobre a reforma do Conselho de Segurança. No texto, Brasil e Rússia defenderam o avanço das mudanças para tornar o órgão "mais representativo", por meio da inclusão de países em desenvolvimento da América Latina, Ásia e África, "em conformidade com as realidades do mundo multipolar".