Cobre bate recordes, mas megamina do Panamá segue fechada; entenda por que

A crescente demanda global por cobre coloca o Panamá em um dilema: reativar uma mina que gera bilhões ou evitar um novo conflito social.

Os preços do cobre atingem níveis recordes, impulsionados pela crescente demanda do metal para redes elétricas, veículos elétricos, energias renováveis e data centers.

Uma das maiores minas de cobre do mundo permanece fechada: a Cobre Panamá, projeto avaliado em cerca de US$ 10 bilhões.

A mina, operada pela canadense First Quantum, foi fechada após uma forte crise política e ambiental no Panamá.

Em 2023, um acordo que permitia a continuidade das operações por pelo menos 20 anos provocou grandes protestos no país. A Suprema Corte considerou a concessão inconstitucional, e o então presidente Laurentino Cortizo determinou o início do processo de fechamento.

Dilema econômico

O caso ganhou ainda mais importância diante da valorização do cobre e das previsões de escassez no mercado global.

Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia, os projetos atualmente em desenvolvimento podem não ser suficientes para atender à demanda, com um possível déficit de oferta de cerca de 25% até 2035.

Para o Panamá, a paralisação representa um dilema econômico. O país —, que tradicionalmente dependente do Canal do Panamá, da logística e dos serviços financeiros —, passou a obter uma importante fonte de receitas com a mineração de cobre.

Riqueza mineral do Panamá

Agora, o governo do presidente José Raúl Mulino precisa decidir como lidar com a mina. A reativação poderia recuperar uma importante fonte de produção e receitas, mas também exigiria convencer a população de que o projeto pode avançar sem repetir os conflitos ambientais e sociais que levaram ao seu fechamento.

A Cobre Panamá tem capacidade para produzir mais de 350 mil toneladas de cobre por ano, o que coloca sua eventual retomada no centro do debate econômico e político do país.