
Japão pede à ONU fim do rótulo de 'Estado inimigo' e China acusa remilitarização

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) que retire de sua Carta as referências ao Japão e à Alemanha como "Estados inimigos". A classificação foi utilizada recentemente pela China para criticar Tóquio após a deterioração das relações por Taiwan, informou a Bloomberg na terça-feira (22).
Em seu primeiro discurso perante a Assembleia Geral, Takaichi afirmou que a Carta da ONU ainda contém cláusulas que se referem às potências do Eixo da Segunda Guerra Mundial como "Estados inimigos".

Uma resolução para eliminar essas referências foi aprovada por unanimidade em 2005, mas o processo de emenda impediu até agora a retirada das cláusulas.
"De acordo com essa resolução, essas cláusulas deveriam ser eliminadas sem demora", declarou Takaichi, ao defender o papel do Japão após 70 anos de contribuições à atuação da ONU.
A delegação chinesa permaneceu na sala durante o discurso da primeira-ministra.
Horas antes, Takaichi e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, haviam concordado em manter uma coordenação estreita sobre questões relacionadas à China durante uma reunião de cerca de 30 minutos.
China responde
Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou nesta quarta-feira (23) que a comunidade internacional presta mais atenção às ações do Japão do que às suas palavras.
Segundo Guo, o atual governo japonês nega sua história de agressão e glorifica crimes de guerra, enquanto reforça suas capacidades militares, acelera a remilitarização e busca abandonar seus "três princípios não nucleares" e revisar a Constituição pacifista.
O porta-voz afirmou ainda que o Japão desafia abertamente a ordem internacional do pós-guerra e se tornou "um importante fator de ameaça" à paz e à estabilidade regionais.
- Anteriormente, China e Rússia se pronunciaram sobre a crescente militarização do Japão. A China criticou o governo japonês por evitar uma reflexão sincera sobre as lições da Segunda Guerra Mundial e por atenuar sua responsabilidade histórica, ressaltando que as ações de Tóquio "alarmaram ainda mais os vizinhos asiáticos e a comunidade internacional sobre o que o Japão realmente está fazendo".
- Enquanto isso, Moscou instou Tóquio a abandonar as tentativas de "retocar as páginas desumanas de sua própria história", por ter sido "um dos principais agressores" da Segunda Guerra Mundial.

