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Confira quais estados foram pior que o esperado em Matemática no Pisa

O levantamento apontou 20 estados e o DF abaixo da projeção para seus níveis socioeconômicos; Roraima teve a maior diferença negativa.
Confira quais estados foram pior que o esperado em Matemática no PisaGettyimages.ru

Vinte estados e o Distrito Federal tiveram desempenho em matemática no Pisa abaixo do esperado para seus níveis socioeconômicos, segundo levantamento do Instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede).

A análise considera fatores como escolaridade dos pais, situação profissional da família e recursos disponíveis em casa. A informação foi publicada pelo portal g1 nesta quarta-feira (23).

Matemática foi a disciplina com o maior número de unidades federativas abaixo da expectativa entre as três áreas avaliadas. Roraima apresentou o pior resultado relativo do país, com desempenho 50,2 pontos inferior ao projetado.

Também estão entre as cinco maiores diferenças negativas Tocantins, Amapá e Amazonas. Com isso, quatro estados da região Norte aparecem entre os piores desempenhos relativos em matemática.

Ficaram abaixo do esperado Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins, além do Distrito Federal.

O Rio Grande do Norte ficou dentro do esperado. Já Paraná, Ceará, Minas Gerais, Piauí e São Paulo superaram a projeção para seus respectivos níveis socioeconômicos. O Paraná teve o maior resultado positivo, com 15 pontos acima do previsto.

Critério socioeconômico

O levantamento foi elaborado por pesquisadores do Iede a pedido do g1. O cálculo leva em conta a escolaridade dos pais, o status profissional mais alto da família e recursos disponíveis em casa, como livros, computadores, espaço para estudar e acesso à internet.

O objetivo do ajuste é comparar o resultado obtido no Pisa com o desempenho que seria esperado diante das condições socioeconômicas dos estudantes de cada estado.

São Paulo, por exemplo, registrou 403,8 pontos em matemática. Quando considerado seu perfil socioeconômico, o estado ficou apenas 2,3 pontos acima da expectativa, a menor diferença positiva entre os cinco estados que superaram o resultado projetado.

O Ceará obteve 363,3 pontos em matemática, mas ficou 10,5 pontos acima do esperado para seu contexto socioeconômico. O estado teve o segundo melhor desempenho relativo do país nesse recorte.

Segundo Katia Smole, diretora do Instituto Reúna, dificuldades em matemática podem se acumular ao longo da trajetória escolar.

"O problema da matemática no Brasil começa muito antes dos 15 anos, porque é uma disciplina progressiva e cumulativa. Se um estudante não compreende bem frações ou proporções, por exemplo, terá dificuldade quando chegar à álgebra e a outros conceitos mais complexos", afirmou.

Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, afirmou que resultados acima ou abaixo da projeção ajudam a observar como as condições disponíveis se refletem na aprendizagem.

"Quando um estado apresenta desempenho melhor que o projetado, isso pode indicar que sua política educacional está conseguindo reduzir parte do peso das desigualdades. Quando fica abaixo do patamar esperado, o resultado sugere que as condições e capacidades existentes não estão sendo convertidas em aprendizagem", disse.