Representante de Renan Santos para Educação afirma ser contra as cotas por ser 'professor do ensino básico'

Anunciado pelo candidato como seu futuro ministro da Educação caso seja eleito, Paulo Cruz defende a aplicação do modelo pedagógico do Ceará aliado à disciplina das escolas de El Salvador na Educação brasileira.

Paulo Cruz, o especialista em educação da campanha do candidato à Presidência Renan Santos (Missão), afirmou "sou contra cotas porque sou professor da educação básica" em entrevista à Folha de S.Paulo divulgada na segunda-feira (22) no programa Educação em Debate em parceria com a Associação Bem Comum, o Instituto Natura, a Nova Foundation e a Fundação Lemann.

Anunciado pelo candidato como seu futuro ministro da Educação caso seja eleito, Cruz é mestre em ciências da religião, filósofo e tecnólogo em processamento de dados.

Renan Santos defende a abolição das cotas para universidades e considera que o enfoque da Educação deveria ser em melhorar a qualidade do ensino básico ao invés de se concentrar nas universidades, pois, segundo o candidato, os negros são "desassistidos" antes de chegarem ao ensino superior.

Para Cruz, que é professor de escola pública há dez anos, as cotas apenas beneficiam uma "espécie de elite da educação pública", e que o ideal seria que todos os estudantes da rede pública estivessem em pé de igualdade com os alunos de escolas particulares ao terminarem a educação básica.

Ele defende que as cotas deveriam ser descontinuadas em um programa gradual e que um dos principais problemas da Educação no Brasil no momento é a falta de ordem e disciplina. Para tanto, Cruz argumenta que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) deveria ser alterado para facilitar a aplicação de punições aos alunos.

"Educação é atenção", afirmou Cruz, "a escola não pode mais ser um ambiente em que o aluno não distingue mais a rua e a escola", afirmou.

Para ele o programa Pé-de-Meia do governo federal, que oferece bolsas a estudantes de baixa renda do ensino médio, falha ao exigir apenas a presença do aluno no ambiente escolar sem exigir desempenho e disciplina. "O aluno só precisa estar na escola. Ele pode estar na escola botando a escola abaixo e tudo bem, se ele tiver frequência", disse.

Paulo Cruz cita como referência o modelo educacional do Ceará no campo pedagógico e o de El Salvador no que diz respeito à disciplina, e que o ideal seria aplicar uma mescla dos dois modelos na Educação brasileira.

Ele também criticou a ideia do ensino em tempo integral afirmando que não se trata de uma política educacional e sim de uma forma de "controle", pois o objetivo é apenas afastar os jovens das ruas e deixar os pais trabalharem. Cruz defende que uma escola deste modelo precisa oferecer, entre outras atividades, formação técnica e esportes. "Ele [o estudante] tem que sair dali um ser humano melhor", completou.