
'América Latina é o continente do futuro', afirma presidente do Chile na ONU

O presidente do Chile, José Antonio Kast, discursou nesta terça-feira (22) na abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Na ocasião, ele destacou a América Latina como o continente do "futuro".
"Acredito sinceramente que a próxima década pode ser a nossa (...) aAmérica Latina é o continente do futuro, e quem lidera o continente hoje está disposto a impulsionar essa mudança", enfatizou Kast.

Nesse sentido, ele ressaltou a coordenação entre os novos governos da região, aliados aos EUA e ao presidente Donald Trump. "As relações com nossos países vizinhos, diretamente, Peru, Bolívia, Argentina, estão em um bom momento", mencionou. Da mesma forma, indicou que estão retomando o relacionamento com a Venezuela.
"Pela primeira vez em muito tempo, governos latino-americanos estão se coordenando de verdade, não apenas por meio de comunicados, mas se conhecendo e se articulando para gerar ações concretas contra o crime organizado transnacional, o controle migratório e forjando oportunidades de desenvolvimento conjunto", disse o mandatário chileno.
No entanto, Kast não mencionou que em décadas passadas a região articulou iniciativas voltadas à unidade, com a formação de entidades como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
Em sua intervenção, ele aproveitou para destacar o Estreito de Magalhães, no sul do Chile, como uma "uma alternativa indispensável para o comércio mundial". "Nossa nação se tornará a ponte e o porto dos corredores biocêanicos que unirão a América à Ásia", prometeu.
"O Chile está de volta"
"Vim até este fórum para contar a vocês que o Chile está de volta, e isso não é um slogan, é a construção de um país que hoje começa a caminhar rumo ao desenvolvimento", disse Kast, após afirmar que o país sul-americano havia estagnado.
Em sua visão, nos seis meses de seu governo, ele está "colocando a casa em ordem", de modo que "hoje o Chile é um país mais seguro, mais competitivo e menos burocrático". A esse respeito, destacou uma queda na taxa de homicídios e que as "fronteiras estão mais controladas"; e ressaltou a aprovação da reforma econômica "mais importante das últimas décadas", com redução do imposto sobre as empresas.
Embora tenha admitido que a economia ainda "não decola" e o desemprego "permanece alto", Kast disse manter a esperança de que "a mudança vai chegar". Assim, convocou os investidores internacionais a "escolherem o Chile para investir".
Além disso, o presidente posicionou seu país como um ator-chave na transição energética. "O Chile possui cerca de um quarto das reservas mundiais de lítio e somos o maior produtor de cobre do planeta. O Chile, além disso, tem um sol intenso, um longo litoral voltado para o Oceano Pacífico, lagos, rios, vulcões que podem gerar uma energia impressionante", defendeu.
Em seu discurso, Kast também propôs reformar a ONU, pois, em sua opinião, "não tem estado à altura dos desafios do nosso tempo". Suas propostas incluem reduzir a burocracia, concentrar o orçamento onde há vidas em jogo, suspender as agendas que não são prioritárias e reformar o Conselho de Segurança.
O elo com Trump
Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores, Francisco Pérez Mackenna, indicou que, no âmbito da viagem à Assembleia Geral da ONU, o mandatário chileno manterá "muitas reuniões bilaterais que serão de grande interesse", mas não esclareceu se uma delas seria com seu homólogo dos EUA, Donald Trump.
Apesar de Kast ser um dos líderes regionais alinhados a Trump, ele não autorizou a adesão oficial ao Escudo das Américas. O que já foi confirmado na agenda presidencial é sua presença em um jantar de recepção oferecido pelo mandatário americano a um grupo de chefes de Estado.

