Jornalista conta a Tucker Carlson como Israel influencia países da América Latina com ajuda dos EUA

Carlson questionou o peso israelense na política externa de Washington, enquanto Blumenthal apontou como sua influência se estende às alianças e decisões de governos latino-americanos.

O jornalista americano Tucker Carlson questionou por que Israel aparece tão envolvido em questões políticas e de segurança de diferentes países da América Latina.

Em conversa com o também jornalista Max Blumenthal, Carlson afirmou que a influência de Tel Aviv na América Latina "carece de fundamento em uma compreensão prática do mundo", já que Israel está do outro lado do globo e não possui vínculos históricos com a região.

Blumenthal, por sua vez, citou as relações de Israel com Colômbia, Equador, Honduras, Guatemala e agora a Venezuela. 

Sobre Colômbia e Guatemala, ele destacou a cooperação militar com Israel, que forneceu armas e treinamento aos dois países. Segundo ele, o caso guatemalteco marcou o início de uma "bela amizade" entre Israel e governos latino-americanos alinhados aos EUA, que buscavam combater grupos de esquerda.

Ele também mencionou o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, que promoveu uma mudança na política externa para restabelecer a aliança com Tel Aviv e reverter medidas adotadas por seu antecessor, o esquerdista Gustavo Petro.

Sobre o Equador, Blumenthal citou o presidente Daniel Noboa, cujo governo planeja incluir o ensino sobre o Holocausto nas escolas.

"Não há nada de errado em aprender sobre a história do genocídio judaico ou do genocídio de outros povos durante a Segunda Guerra Mundial, mas parece um tanto forçado", afirmou.

"Um governo que age em nome de Israel"

Sobre Honduras, Blumenthal mencionou a colaboração com Israel durante o governo do ex-presidente Juan Orlando Hernández, condenado nos EUA a 45 anos de prisão por tráfico de drogas e posteriormente perdoado por Donald Trump.

Em relação à Venezuela, o jornalista contrastou a atual aproximação com Israel com a política de Hugo Chávez, que expulsou o embaixador israelense em 2009, em protesto contra a ofensiva militar na Faixa de Gaza.

Blumenthal também citou a recente saída da Venezuela do Tribunal Penal Internacional e a relacionou às sanções impostas pelos EUA contra o órgão e ao processo contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Carlson mencionou que, após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, "a primeira coisa" que o governo americano fez foi "obrigar os novos líderes a se darem bem com Israel".

"Por que essa é a prioridade número um do nosso Departamento de Estado?", perguntou.

Blumenthal respondeu que isso ocorre pela "mesma razão pela qual os EUA entraram em guerra contra o Irã".

"É um governo que age em nome de Israel", afirmou.