'Sessão vergonhosa': duro editorial do Globo acusa Dino de 'procrastinar' STF e Gilmar de 'contranger a si mesmo'

Texto afirma que ministros devem seguir a Constituição e defende investigação contra Alexandre de Moraes com base no princípio de igualdade perante a lei.

Em editorial publicado no domingo (20), o jornal O Globo classificou como "vergonhosa" a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 15 de setembro e criticou a atuação dos ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. O texto afirma que Dino fez "falas procrastinatórias" ao defender que decisões judiciais não devem considerar o clamor popular e sustenta que a Corte deve seguir a literalidade da Constituição, segundo a qual "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza".

O editorial questiona por que Moraes não seria investigado diante de "52 mensagens" atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que, segundo o texto, pediam ajuda e conselhos ao ministro. Também cita um contrato de R$ 130 milhões assinado pela mulher de Moraes com o Banco Master para consultoria estratégica em órgãos públicos e afirma que a condição de ministro do STF deveria resultar em "mais escrutínio" sobre ele.

"O clamor popular não deve mesmo influenciar o Supremo. A Corte deve apenas aplicar a lei, de modo sereno e ponderado, longe das paixões, inclinações ideológicas ou afinidades políticas. O magistrado não deve mesmo se confundir com o justiceiro", diz o texto.

O texto também critica Gilmar Mendes por "impropérios que só fazem constrangê-lo", considera que Cristiano Zanin permaneceu "nos limites do aceitável" e reprova Dino por sua postura diante do presidente do STF, Edson Fachin. Sobre Moraes, o editorial afirma que ele "nem sequer deveria ter votado como fez".

Ao final, O Globo sustenta que o STF deve aplicar a lei "de modo sereno e ponderado", sem influência de paixões ou afinidades políticas, mas afirma que "a Justiça tem de ser feita". O editorial menciona ainda o Senado como alternativa caso isso não ocorra no Supremo e cita Fachin, segundo quem a Corte precisa "sair desta crise maior do que entrou".