A indústria automobilística da Alemanha vive um de seus momentos mais críticos. Trabalhadores da Volkswagen, da BMW e da fornecedora de autopeças Bosch protestaram em diversas cidades da Alemanha nesta segunda-feira (21) em um movimento de resistência contra o cenário de incertezas que atinge a indústria do país, informou a Reuters.
As manifestações ocorrem menos de três dias após a maior montadora da Europa, a Volkswagen, emitir um alerta de queda nos lucros, expondo a fragilidade do setor diante dos altos custos de produção e da crescente concorrência asiática.
O clima de tensão é alimentado por medidas de reestruturação severas. A Volkswagen planeja cortar mais 50 mil empregos como parte de um acordo com os sindicatos do país, que ainda têm muito poder.
No entanto, as lideranças trabalhistas, incluindo a presidente do conselho da Volkswagen, Daniela Cavallo, e a chefe do sindicato IG Metall, Christiane Benner, cobram soluções mais robustas. Entre as reivindicações estão a proteção contra a concorrência chinesa, subsídios mais eficazes da União Europeia e a manutenção de programas de aposentadoria gradual.
A crise é agravada pela transição tecnológica. Na última sexta-feira (18), a Volkswagen reduziu sua previsão de margem de lucro para 2026 para, no máximo, 1%, citando a baixa demanda na China e o peso das provisões para aposentadorias.
O setor enfrenta o desafio de equilibrar a dependência histórica dos motores a combustão com a aceleração da demanda por veículos elétricos, que possuem margens de lucro menores. Para o sindicato IG Metall, a indústria alemã ficou para trás devido à demora em acompanhar os avanços na mobilidade elétrica, digitalização e tecnologia de baterias.