
Líder da oposição alemã pede que país volte a comprar gás russo em meio à situação energética 'dramática'

A líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel, defendeu no domingo (20) que o país volte a comprar gás da Rússia, tendo em vista o que chamou de situação energética "dramática".

Durante um programa no canal ZDF, Weidel enfatizou a necessidade de "retornar aos combustíveis fósseis".
A política destacou que a Alemanha "precisa" de um acordo entre Rússia e Ucrânia para encerrar o conflito que levou os países europeus a abrirem mão do gás russo.
Crise energética na Alemanha
Tanto a incapacidade de fornecer gás barato através do Nord Stream quanto a decisão da União Europeia de romper, de modo geral, com os hidrocarbonetos russos a baixo custo desencadearam uma crise energética no bloco, particularmente na Alemanha. A atual escalada no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e do gás e, como resultado, o Velho Continente passou a arcar com uma energia ainda mais cara, pressão sobre famílias e empresas, fechamento de indústrias, demissões e uma economia cada vez mais fragilizada.
Um dos setores mais afetados foi a indústria automobilística alemã, que atravessa uma de suas crises mais profundas das últimas décadas. A fabricação de automóveis exige quantidades enormes de energia, especialmente para a produção de aço, alumínio, produtos químicos e baterias. Como resultado, o aumento dos custos de energia impactou toda a cadeia de suprimentos, elevando o custo final dos veículos e reduzindo as margens de lucro das montadoras. Muitas marcas renomadas de automóveis, incluindo BMW, Porsche e Volkswagen, estão sendo forçadas a implementar reduções significativas em seus quadros de funcionários.
O próprio chanceler alemão, Friedrich Merz, reconheceu em julho que seu país sente falta do gás russo, embora tenha defendido a direção de sua política de energética. Ele havia declarado anteriormente que faria todo o possível para impedir a entrada em operação do gasoduto Nord Stream 2.

