O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, aconselhou os países do Golfo Pérsico a não confiarem nos EUA, afirmando que a economia americana "está caminhando para o colapso".
Em uma entrevista à Al Jazeera neste domingo (20) Rezaei afirmou que "os EUA e [o presidente Donald] Trump eventualmente irão embora", enquanto o Irã e as nações árabes permanecerão na região. "Na próxima década, os Estados Unidos não serão o que são hoje", acrescentou.
Em Busca de Cooperação Econômica e Mercados Comuns
Rezaei enxerga o Irã e os oito países do Golfo Pérsico como "uma só família" e propôs avançar rumo a um acordo de cooperação econômica, investimentos conjuntos e até mesmo uma moeda e um mercado comuns. Ele também afirmou que a resistência do Irã contra os EUA e Israel não defende só seu país, mas toda a região
"Israel teria atacado todas as nações árabes, com o apoio dos Estados Unidos", declarou Rezaei, que também expressou seu desejo de que os estados árabes adotassem uma postura mais firme contra o que ele descreveu como crimes cometidos pelos EUA contra o Irã e contra a ofensiva israelense no Líbano, na Faixa de Gaza e na Síria.
A Preferência por Israel e pelos EUA
Embora tenha afirmado que o Irã busca "amizade" com seus vizinhos, o secretário criticou diversos países árabes por preferirem se reunir com Israel e o comando militar dos EUA. Ele explicou que o Irã e Omã convidaram o Iraque e outros cinco países da região para aderirem a um acordo para estabelecer uma nova rota marítima através do Estreito de Ormuz.
"Também convidamos os outros estados do Golfo Pérsico para participar da cerimônia, mas eles não compareceram", disse Rezaei, antes de observar que, no dia seguinte, esses países viajaram para a Alemanha para se encontrar com autoridades israelenses e o Comando Central dos EUA.
O general iraniano afirmou que esse tipo de decisão não é inédito. Ele lembrou que, após a Revolução Islâmica, vários países árabes apoiaram o então presidente iraquiano Saddam Hussein na guerra contra o Irã. Na época, acrescentou, as relações melhoraram, deterioraram-se novamente e foram posteriormente restabelecidas com um acordo estratégico assinado com a Arábia Saudita na China, um pacto que, segundo Rezaei, permanece em vigor.