As novas sanções "infernais" dos EUA contra a Rússia podem acabar afetando a União Europeia (UE), apontou o Politico na quinta-feira (17).
O projeto de lei autoriza o presidente Donald Trump a impor sanções de 100% aos cinco maiores compradores mundiais de combustível russo. Entre eles estão a China, que adquiriu 50% das exportações de petróleo bruto russo desde 2022; a Índia, com 37%; a Turquia, com 5%; e a UE, com 5%.
Durante esse mesmo período, o bloco comunitário também foi o maior comprador de gás natural liquefeito (GNL) russo (49%) e o maior comprador de gás russo via gasoduto (32%).
Trump ainda não confirmou se assinará o projeto de lei de sanções contra a Rússia, embora o Wall Street Journal tenha noticiado que ele pretende fazê-lo. Por sua vez, a Comissão Europeia ainda não se pronunciou publicamente sobre a legislação.
"Sanções infernais"
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira (16) um novo projeto de lei com as ditas "sanções infernais" contra Moscou, promovido pelo falecido senador republicano Lindsay Graham*, conhecido por sua postura antirrussa.
Com 262 votos a favor e 159 contra, cerca de 58 democratas e 203 republicanos votaram a favor da iniciativa, além do voto de um independente.
A legislação tem como objetivo exercer maior pressão sobre os setores de energia e de defesa da Rússia, bem como sobre sua suposta "frota fantasma" de navios-tanque.
Caso seja sancionada, também permitirá ao presidente Donald Trump impor mais tarifas à China, à Índia e a outros países, com o objetivo de reduzir o comércio de petróleo e gás russos, bem como ampliar as sanções contra o Irã.
O projeto, rebatizado de "Lei Lindsey O. Graham de Sanções contra a Rússia e o Irã de 2026" em homenagem ao político — que costumava chamá-lo de "projeto de lei de sanções infernais" —, foi aprovado pelo Senado no mês passado com 86 votos a favor e 11 contra. Agora, ele será encaminhado à Casa Branca, onde Trump planeja sancioná-lo como lei.
A reação de Moscou
Por sua vez, Moscou classificou a medida de Washington como "um ato hostil", nas palavras do porta-voz oficial do Kremlin, Dmitry Peskov.
"A imposição de sanções adicionais pelos EUA sem dúvida complicará os esforços para alcançar uma solução pacífica na Ucrânia", disse Peskov.
*O falecido senador era incluído na lista de terroristas e extremistas da Rússia.