Merz: 'A era da amizade transatlântica incondicional chegou ao fim'

O "modelo de negócio" no qual os EUA forneciam a segurança, terminou, esclareceu o chanceler alemão.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou nesta quinta-feira (17) que "a época da amizade transatlântica incondicional terminou" devido à mudança nas posturas políticas do outro lado do oceano. A afirmação foi feita diante de membros de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU).

Ele esclareceu que, do outro lado do Atlântico, Berlim observa mudanças nas posturas políticas e na avaliação da aliança transatlântica que não acreditava serem possíveis, mas que "estão ocorrendo".

"Façamos algo a respeito. Aproveitemos a oportunidade que se apresenta agora e digamos: 'Sim, já era hora de assumirmos uma responsabilidade maior por nós mesmos'", afirmou. Merz acrescentou que o "modelo de negócio" no qual os Estados Unidos forneciam a segurança à Europa, chegou ao fim.

Aliança inesperada

As declarações ocorrem depois que o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, compareceu como convidado de honra a uma sessão do Parlamento Europeu em Estrasburgo. Na ocasião, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu ao bloco que avançasse para que o Canadá pudesse se tornar membro associado, uma filiação sem precedentes e que carece de normas jurídicas.

O anúncio de Von der Leyen coincide com um período de crescentes tensões comerciais e políticas com a Casa Branca e já provocou a reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou Bruxelas com retaliações comerciais, caso os acordos com Ottawa não correspondam ao que Washington classifica como atos de "boa-fé".

"Se fizerem isso — incluir o Canadá como membro associado da UE —, imporei tarifas muito severas, deixarei de comercializar com a Europa ou tomarei outras medidas contundentes (...) Se a intenção for boa, tudo bem; mas se for ruim, imporemos tarifas muito elevadas à Europa", alertou Trump ao ser questionado pela imprensa sobre o tema.