Andrew Reid, diretor-executivo da empresa australiana de mineração Brazilian Critical Minerals (ASX: BCM), elogiou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira (16).
"Consideramos a legislação proposta um avanço muito positivo para a indústria de minerais críticos do Brasil e, potencialmente, para o projeto Ema", afirmou Reid ao portal especializado Australian Resources & Investment.
Ele destacou que "o Brasil possui uma base extraordinária de recursos de terras raras, e o apoio governamental ao financiamento e à agregação de valor no mercado interno pode ajudar a acelerar o desenvolvimento de projetos capazes de levar esses recursos à produção".
Apesar do nome, a Brazilian Critical Minerals é uma empresa australiana de exploração mineral focada principalmente em terras raras, com projetos no Brasil, incluindo o Ema, localizado na região de Apuí, no Amazonas. Ao que indicam as fontes consultadas, seus três diretores - Andrew Reid, Jeremy Robinson e Nicholas Holthouse - são todos estrangeiros.
A estrutura acionária da BCM também é predominantemente internacional. Entre os principais acionistas identificados estão fundos de investimento como Drake e Lowell Resources Fund, enquanto os três integrantes do board também possuem participações na companhia.
Processamento interno?
Ao longo da entrevista, Reid diz que a BCM pretende produzir no Brasil um carbonato misto de terras raras (MREC), em vez de simplesmente exportar o minério bruto, em consonância com as exigências da nova legislação, que busca estimular o beneficiamento e a agregação de valor dos minerais em território nacional.
Ao sancionar a lei na quarta-feira (16), Lula afirmou que, com o novo marco regulatório, o Brasil não será colônia de nenhuma outra nação.
"Como escreveu o uruguaio, grande escritor, Eduardo Galeano: 'o ouro deixou buracos no Brasil, palácios em Portugal e fábricas na Inglaterra'. Não repetiremos a história. Não repetiremos a história, não somos e não seremos, nunca mais, colônia de quem quer que seja. Com a legislação promulgada hoje, o Brasil propõe ao mundo uma nova agenda para a mineração do futuro", sustentou.