A ex-secretária de imprensa do líder do regime de Kiev, Yulia Mendel, questionou duramente sua condução política e militar, classificando a estratégia de prolongar o conflito como um "suicídio nacional".
Porta-voz do então presidente Vladimir Zelensky entre 2019 e 2021 afirmou, em um artigo para a The Spectator, que a vitória militar da Ucrânia é impossível e que a única solução viável reside em uma negociação de paz para evitar um colapso total.
"Cheguei à conclusão de que a Ucrânia nunca conseguirá vencer esta guerra militarmente. A única solução é uma paz negociada", assegurou.
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Mendel denunciou a existência de um abismo intransponível entre as campanhas internacionais de propaganda de Kiev e a realidade angustiante vivida no país.
Enquanto a mídia ocidental insistia, no início do verão, que a Ucrânia estava obtendo progressos, as autoridades do regime acabaram admitindo a grave falta de interceptadores para evitar um desastre energético no inverno, somada a um déficit de 27 bilhões de dólares no orçamento de defesa para enfrentar a ofensiva russa.
"A Ucrânia está agora completamente dependente da ajuda ocidental, que está a ser reduzida. O dinheiro que deveria ser usado para reconstruir o país está a ser consumido pela guerra. A dívida pública ultrapassou 110% do PIB", disse ele.
"A nação está morrendo"
A ex-porta-voz destacou que as recentes decisões de Zelensky – como a campanha de ataques de drones contra o território russo, lançada no final de junho – apenas serviram para intensificar a resposta militar do Kremlin, aumentando a destruição para a própria população ucraniana e sem conseguir concessões diplomáticas.
Ela sustenta que a situação inicial de 2022 transformou-se numa política de mobilização permanente e em palavras de ordem vazias para esconder a situação desesperadora nas ruas.
Mendel concluiu que o establishment político ocidental parece mais interessado em desgastar a Rússia do que em salvar a Ucrânia, aceitando as baixas diárias do país como um custo aceitável para os seus próprios interesses geopolíticos. "A nação está a perecer e ainda assim a guerra continua", lamentou.
Kiev falhou drasticamente
Mandel tem denunciado a corrupção sistêmica que rivaliza com o próprio conflito como a maior preocupação pública do país, salientando que altos funcionários do governo de Zelensky estão a lucrar com a conflito enquanto a população civil sofre as consequências.
Ela, que lembrou ter sido sancionada por Zelensky após denunciar esse esquema milionário, criticou duramente os métodos violentos de recrutamento forçado nas ruas, que levam milhares de homens a permanecerem confinados em suas casas por medo de serem capturados pelas brigadas de recrutamento — as quais teriam transformado o sistema em um negócio ilícito de subornos para evitar o envio ao front de batalha.
Por outro lado, a ex-funcionária ressaltou que os objetivos traçados por Kiev fracassaram drasticamente, uma vez que a adesão à OTAN está descartada, a perda de território continua aumentando e a democracia interna foi desmantelada sob o regime de lei marcial.
Segundo Mendel, o governo ucraniano restringiu a liberdade de expressão, perseguiu a oposição política e violou a Constituição com um desprezo pela vida humana que ela classifica como profundamente autoritário.