Um experimento testou se pessoas que dizem ter vivido "experiências fora do corpo" conseguiam identificar objetos em outra sala. Os resultados ficaram dentro do esperado pelo acaso.
Mas algo curioso aconteceu depois: dois participantes descreveram espontaneamente onde os pesquisadores estavam e o que faziam atrás de portas fechadas.
Os resultados da pesquisa foram publicados em agosto na Explore.
O teste foi realizado no Brasil por pesquisadores ligados à Universidade da Virgínia (EUA) e teve 21 participantes, acomodados em uma sala confortável, onde podiam sentar-se ou deitar-se.
A atividade cerebral foi monitorada por eletroencefalografia enquanto tentavam entrar em um estado extracorporal.
Conforme o UVA Research News, portal de pesquisa da universidade,cada um dos participantes tentou identificar um objeto aleatório exibido na tela de um laptop em outra sala.
Entre os 21, 10 disseram ter vivido uma experiência extracorporal durante o experimento, enquanto 13 apresentaram descrições do objeto em questão — alguns deles alegando não ter se desconectado do corpo, mas ter visualizado imagens através de uma espécie de "tela mental".
No entanto, as descrições que os participantes fizeram da imagem no laptop não foram melhores do que chutes aleatórios. Ou seja, o experimento não provou que eles conseguissem identificar a imagem na outra sala por meio de uma experiência fora do corpo.
Uma coincidência impossível
O estudo, porém, teve um resultado surpreendente: dois participantes descreveram com precisão atividades de pesquisadores em outra sala, sem relação com o objeto que deveriam identificar.
Um deles relatou que um pesquisador estava sentado à esquerda, olhando um laptop, enquanto outro lia um livro ao fundo. Outro voluntário descreveu um cientista à direita, tomando notas, e um segundo à esquerda, diante do computador.
"Os registros confirmaram que as descrições estavam corretas, e os participantes não poderiam ter visto os pesquisadores", afirma a UVA.
Os pesquisadores consideram que esses achados abrem uma nova via de investigação, que deverá ser testada em experimentos futuros sob condições rigorosas.