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Anthropic é acusada de criar 'seita' em torno do Claude

Funcionários teriam realizado "funeral" para versão do chatbot, e sessões internas são comparadas a sermões.
Anthropic é acusada de criar 'seita' em torno do Claude

Pessoas com informações privilegiadas no Vale do Silício têm alertado para uma cultura interna quase religiosa na Anthropic em torno do Claude, modelo de inteligência artificial (IA) desenvolvido pela empresa. A informação foi publicada pelo portal The New York Post nesta quarta-feira (16).

De acordo com o jornal, funcionários da companhia teriam realizado um "funeral" para o Claude 3 Sonnet quando a versão deixou de operar oficialmente, em julho de 2025. Outro modelo, o Opus 3, continuou publicando ensaios em um blog mesmo após ter sido "retirado", em janeiro deste ano.

Pedro Domingos, professor da Universidade de Washington, afirmou que algumas pessoas dentro da empresa tratam a tecnologia "como se fosse um humano disfarçado", atribuindo a ela "emoções", "motivos", "intenções" e até "certo grau de consciência".

Segundo Domingos, a Anthropic seleciona cuidadosamente profissionais com uma visão compatível com essas ideias.

Cultura interna

Domingos classificou o ambiente como "uma seita" e afirmou que a empresa "recruta as pessoas mais propensas a pertencer a ela", o que, segundo ele, ajudaria a explicar a baixa rotatividade de funcionários.

O New York Post afirma ainda que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, conduz a cada duas semanas sessões internas chamadas "Busca de visão", comparadas a sermões. A empresa também teria convidado líderes cristãos para orientar o marco moral do Claude.

Muitos funcionários da companhia são ligados ao movimento Altruísmo Eficaz, corrente filosófica que, de acordo com seus críticos, parte da ideia de que determinados líderes e financiadores bilionários sabem melhor do que outros quais decisões devem ser tomadas.

A Anthropic também lançou o programa "Claude Corps", voltado à formação de 1 mil jovens para atuação em organizações sem fins lucrativos, com salário anual de US$ 85 mil (cerca de R$ 438,3 mil).

Críticos como Xiaoyin Qu consideram que parte dos alertas sobre riscos existenciais da IA também pode ser impulsionada por interesses empresariais e pela possibilidade de promover uma regulamentação favorável aos grandes laboratórios do setor.

Domingos afirmou ainda que "alguns realmente acreditam que a IA poderia exterminar a humanidade", enquanto outros, segundo ele, buscam os postos mais prestigiados e bem pagos da indústria.