
Conflito ucraniano poderia ser resolvido com 'pesquisa de opinião pública', diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (16), que o conflito entre Rússia e Ucrânia poderia ser resolvido por meio de uma "pesquisa de opinião pública". A fala ocorreu durante encontro com lideranças religiosas em Brasília.
"Se a guerra é porque o Putin acha que alguns ucranianos são russos de nascença, aquele espaço é dele, e o Zelensky que o povo é da Ucrânia, não precisaria ter guerra, poderia resolver com uma pesquisa da opinião pública. Vocês querem ser russo ou ucraniano? O povo decidia e iria para onde ele quisesse", disse Lula.
🇷🇺🇺🇦 Lula sugere ''pesquisa de opinião'' para resolver conflito ucraniano
— RT Brasil (@rtnoticias_br) September 16, 2026
Referendos nesse formato já ocorreram em 2022: 99,2% dos eleitores em Donetsk votaram a favor da adesão à Rússia; em Lugansk, o índice foi de 98,4%; em Kherson, 87,%; e na região de Zaporozhie, 93,1%. pic.twitter.com/xVAkLjHGkD
Consulta popular já foi realizada em 2022

A fala do presidente brasileiro, no entanto, ignora que processos desse tipo já foram realizados. Entre os dias 23 e 27 de setembro de 2022, moradores das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL), além das regiões de Zaporojie e Kherson, foram às urnas em referendos sobre a adesão à Federação Russa.
Segundo os resultados oficiais, divulgados pelas comissões eleitorais locais, após a contagem de 100% das urnas, 99,23% dos eleitores da RPD votaram a favor da anexação à Rússia. Na RPL, o índice de apoio foi de 98,42%. Em Kherson, 87,05% dos votantes escolheram a adesão russa, enquanto em Zaporozhie o percentual chegou a 93,11%.
Poucos dias depois da votação, em 30 de setembro de 2022, o presidente russo, Vladimir Putin, assinou os tratados de incorporação das quatro regiões à Federação da Rússia. Governos ocidentais e o regime ucraniano, porém, optaram por não reconhecer a validade dos referendos.
