Estudo finlandês revela os impactos de caminhar diariamente para pacientes com esclerose múltipla

A pesquisa avaliou mobilidade, atividade diária e qualidade de vida dos participantes usando ferramentas clínicas e questionários.

Um novo estudo apontou que caminhar mais e praticar mais atividade física estão ligados a uma melhor qualidade de vida em pessoas com esclerose múltipla.

Pesquisadores da Universidade da Finlândia sugerem que a mobilidade e o funcionamento físico podem ajudar a entender o bem-estar geral de pacientes com essa doença.

Os resultados foram publicados em agosto na revista Multiple Sclerosis and Related Disorders.

Os pesquisadores analisaram a relação entre qualidade de vida, atividade física, desempenho ao caminhar e capacidade funcional.

O estudo envolveu 41 pessoas com esclerose múltipla remitente-recorrente — caracterizada por recaídas e remissões — e 20 sem a doença.

A idade média foi de cerca de 44 anos no grupo de pacientes e de 35 no grupo de controle, diferença que os próprios autores reconhecem como uma limitação.

A equipe usou vários instrumentos para medir diferentes aspectos do estado de saúde: a atividade física diária foi registrada por acelerômetro, a qualidade de vida avaliada por dois questionários padronizados, e a incapacidade, por escalas clínicas que medem o comprometimento físico e funcional.

Os voluntários ainda passaram por testes físicos, entre eles o de caminhada de seis minutos.

Descobertas importantes

Os resultados mostraram que as pessoas com esclerose múltipla remitente-recorrente tinham uma qualidade de vida bem pior do que as pessoas saudáveis.

Uma maior incapacidade estava claramente relacionada a um pior bem-estar percebido.  Por outro lado, um melhor desempenho ao caminhar e um maior número de passos diários apareceram vinculados a uma melhor qualidade de vida.

O estudo indica ainda que não foi a intensidade da atividade física, mas sim a quantidade de movimento cotidiano e o desempenho funcional que mostraram associação com o bem-estar. 

"Esses achados reforçam pesquisas anteriores e destacam os benefícios potenciais de manter um estilo de vida ativo. Os resultados podem ajudar os profissionais de saúde a incentivar as pessoas com EM [esclerose múltipla] a aumentar seus níveis de atividade diária para apoiar uma melhor qualidade de vida", ressaltou o pesquisador Marko Luostarinen.