
Alex Saab se declara culpado nos EUA por lavagem de dinheiro e conspiração

O empresário colombiano e ex-funcionário do governo da Venezuela Alex Saab se declarou nesta terça-feira (15) culpado de conspiração para lavagem de dinheiro e transações financeiras ilícitas. Os crimes foram imputados pela Justiça dos Estados Unidos após sua deportação pelo governo da presidente encarregada venezuelana, Delcy Rodríguez.
Segundo a AP, Saab reconheceu ter lavado dinheiro por meio de uma "suposta conspiração de subornos" para obter contratos governamentais lucrativos na Venezuela.
O ex-funcionário, de 54 anos, havia se declarado inocente ao chegar aos Estados Unidos, após ser deportado pelas autoridades venezuelanas em maio. Ele mudou sua declaração depois de chegar a um acordo processual com a Promotoria em um tribunal federal de Miami, na Flórida.

Acordo com a Promotoria
Como parte do acordo, Saab aceitou cooperar com investigações federais em andamento e confiscar US$ 195 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) em ganhos ilícitos provenientes do esquema de corrupção.
A AP afirma que autoridades norte-americanas descrevem Saab como o "homem de confiança" de Maduro e que, por isso, "poderiam pedir que ele atue como testemunha de caráter" contra o presidente sequestrado e privado de liberdade em uma prisão de segurança máxima em Nova York.
Maduro é acusado pelos EUA de suposto "narcoterrorismo" ao lado de sua esposa, a deputada venezuelana Cilia Flores.
O crime de lavagem de dinheiro prevê pena máxima de 20 anos de prisão. Os promotores concordaram em recomendar uma sentença abaixo da sugerida para esse tipo de caso e pedir reduções adicionais caso a cooperação de Saab seja considerada útil contra "quatro coacusados", cujos nomes não foram divulgados.
Prisão e medicamentos
Durante audiência no tribunal, Saab disse à juíza Kathleen Williams que toma diariamente o antidepressivo Zoloft, além de outros medicamentos, para tratar um "transtorno de estresse pós-traumático".
Segundo Saab, a condição está relacionada à sua prisão em 2020, em Cabo Verde, durante o primeiro governo de Donald Trump.
Ele permaneceu privado de liberdade por mais de três anos até receber um indulto em 2023 da administração do então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

