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China denuncia uso de IA contra o país por 'forças hostis' e emite alerta de segurança nacional

Pequim apontou uso da tecnologia por serviços de inteligência estrangeiros para coletar dados estatais, comerciais e pessoais.
China denuncia uso de IA contra o país por 'forças hostis' e emite alerta de segurança nacional

O ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, afirmou no sábado (12) que a inteligência artificial se tornou um novo fator de risco para a segurança nacional e acusou "forças hostis" de usar IA generativa para difundir rumores políticos e informações prejudiciais ao país.

Segundo Chen, essas forças recorrem à tecnologia para promover "guerras de opinião pública" e uma "guerra cognitiva".

O ministro também alertou para o uso da IA por serviços de inteligência estrangeiros na coleta e análise automatizadas de dados.

De acordo com ele, as operações podem envolver informações estatais, segredos comerciais e dados pessoais de cidadãos chineses e classificou a IA como "o principal campo de batalha da competição tecnológica global" e uma nova direção da rivalidade estratégica entre as grandes potências.

Nesse cenário, Pequim pretende garantir "controle independente" sobre tecnologias essenciais para o setor, especialmente chips avançados.

As autoridades chinesas consideram a IA, ao mesmo tempo, uma ferramenta de competição tecnológica e militar, um elemento da disputa informacional e uma questão de soberania tecnológica.

Disputa com os EUA

As declarações ocorrem durante os preparativos para uma reunião entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.

A expectativa é que a regulamentação e a segurança da IA estejam entre os temas discutidos.

Nos Estados Unidos, país que Trump alega estar à frente de todos no desenvolvimento da IA, aumentaram os apelos para reduzir o ritmo de avanço dos sistemas da tecnologia por razões de segurança pública.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, pediu recentemente a desaceleração do desenvolvimento dos modelos mais avançados para que as medidas de segurança possam acompanhar seu avanço. O CEO da OpenAI, Sam Altman, também defendeu reduzir o ritmo de desenvolvimento dos modelos de fronteira e reforçar as medidas de segurança.

Na China, por outro lado, autoridades consideram que os apelos para frear o desenvolvimento da IA são discriminatórios e buscam consolidar a posição das grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos, além de limitar o avanço do setor em outros países, incluindo a China.

Pequim defende acesso inclusivo à IA, o desenvolvimento da tecnologia em benefício de todos e uma regulamentação internacional considerada razoável para o setor.

A China também anunciou, em Xangai, a criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, cujo acordo foi assinado por representantes de 29 países, entre eles Brasil e Rússia.

Pequim ainda promove ecossistemas de código aberto e o intercâmbio internacional de tecnologias e conhecimentos ligados à IA, incluindo a cooperação com países em desenvolvimento e os BRICS.