Kremlin comenta anúncio de Trump sobre fim dos ataques a alvos energéticos entre Rússia e Ucrânia

O presidente americano afirmou que os dois países concordaram mutuamente em não atacar alvos de energia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comentou nesta terça-feira (15) a afirmação de Donald Trump de que a Rússia e a Ucrânia concordaram em não lançar ataques contra alvos energéticos.

Peskov observou que Moscou tomou conhecimento da proposta de Trump e acolhe com satisfação a iniciativa.

"De modo geral, sem dúvida, consideramos isso uma ideia muito boa, uma boa iniciativa. Estamos em contato com os americanos. Estamos sempre do lado das soluções pacíficas. Mas aqui é muito importante esclarecer o seguinte. Garantir o funcionamento seguro das refinarias e aumentar os volumes de produção de derivados de petróleo não resolve os problemas mundiais", afirmou.

Navegação segura para o escoamento da produção 

O porta-voz, no entanto, ressaltou que a eventual suspensão dos ataques a alvos energéticos, por si só, não resolveriam o problema dos preços mundiais, e que o mais importante é garantir o escoamento dos derivados de petróleo, através de uma navegação segura. 

"É necessário garantir a navegação comercial segura, a navegação marítima segura para os navios petroleiros. O regime de Kiev, por enquanto, não está inclinado a garantir essa segurança", declarou Peskov.   

Afirmação de Trump

"A Ucrânia concordou em não atacar alvos energéticos russos. A Rússia concordou em fazer o mesmo!", publicou o presidente americano na segunda-feira (14) na Truth Social. Ele afirmou que o aumento do preço mundial do diesel se deve principalmente ao conflito na Ucrânia, e "não ao Irã".

Problemas com o combustível

Em julho, a Rússia impôs restrições à exportação de diesel para garantir o abastecimento interno, depois que suas refinarias sofreram ataques com drones ucranianos. A proibição permanecerá em vigor até 30 de setembro deste ano.

Na semana passada, o preço do diesel nos EUA atingiu a marca recorde de seis dólares por galão (3,79 litros) pela primeira vez na história, informou a GasBuddy, serviço que monitora os preços dos combustíveis.

No ano anterior, o preço médio nacional foi de 3,70 dólares. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, associou os preços recordes do diesel aos ataques das forças ucranianas contra refinarias russas e à política da administração do ex-presidente Joe Biden. "O diesel foi afetado por muitos fatores, mas o principal foi a destruição de refinarias russas pela Ucrânia", afirmou.

Os estoques de diesel na Europa aproximam-se de seus níveis mais baixos em anos, apontou o Morgan Stanley em julho.