Pacientes com paralisia severa e anartria voltam a 'falar' graças a implante cerebral

A pesquisa visa ajudar quem preserva as funções cognitivas, mas perdeu a fala por AVC, ELA ou outras condições neurológicas.

Cientistas da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos EUA, desenvolveram uma interface cérebro-computador que permite a pessoas com paralisia severa e anartria (incapacidade de falar) expressar palavras e gestos por meio de um avatar digital.

Os resutados foram publicados nesta segunda-feira (14) na revista científica Nature Neuroscience.

"Nosso objetivo é superar as interfaces que devolvem apenas uma função de cada vez, criando uma única que restaure várias formas de comunicar e mover", afirmou a principal autora da pesquisa, Samantha Brosler.

Três pacientes com paralisia severa e anartria receberam implantes cerebrais capazes de captar sinais associados à fala e aos movimentos do corpo.

Para treinar os modelos computacionais a interpretar as palavras e os gestos que tentavam produzir, os participantes praticaram até 10 gestos e 10 palavras ou frases, permitindo 100 combinações possíveis, enquanto sua atividade cerebral era registrada.

Os resultados fazem parte de uma linha de pesquisa voltada a ajudar pessoas que sofreram acidentes vasculares cerebrais (AVC) ou têm doenças neurodegenerativas, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA), a recuperar capacidades de comunicação verbal e não verbal por meio de interfaces capazes de reproduzir fala e gestos.