Em 11 de setembro de 2001, há exatos 25 anos, uma série de atentados terroristas abalaram a política mundial. Após os ataques, o mundo não foi mais o mesmo.
O que aconteceu?
Em 11 de setembro de 2001, 19 terroristas associados à al-Qaeda* sequestraram quatro aeronaves comerciais e cometeram ataques terroristas suicidas que mataram cerca de 2.750 pessoas em Nova York, 184 no Pentágono e 40 em Pensilvânia.
Os terroristas sequestraram os quatro aviões que partiram de três aeroportos da Costa Leste do país após renderem as tripulações.
- Às 8h46, o primeiro avião sequestrado em Boston colidiu com a torre norte do World Trade Center em Nova York.
- 17 minutos depois, a segunda aeronave se chocou com a torre sul.
- Às 9h37, um terceiro avião sequestrado nos arredores de Washington D.C. atacou o Pentágono.
- Minutos depois, a Administração Federal de Aviação ordenou a suspensão de todas as decolagens em nível nacional.
- Às 10h03, a quarta aeronave, que partiu de Newark, Nova Jersey, caiu perto de Shanksville, zona rural da Pensilvânia, depois que os passageiros tentaram lutar com os terroristas.
O ataque foi ordenado pelo chefe da al-Qaeda, Osama bin Laden, e planejado por Khalid Sheikh Mohammed, que passou a infância no Kuwait, fez graduação nos EUA e depois morou no Paquistão e no Afeganistão.
Uma nova arquitetura contra o terrorismo
Por ter sido o primeiro atentado terrorista desta magnitude, o 11 de setembro provocou pânico tanto nos EUA quanto no mundo. Dias depois da tragédia, 71% dos americanos relataram se sentir deprimidos, e 77% ter medo de assistir notícias sobre os acontecimentos. Os cidadãos do país se mostraram dispostos a apoiar medidas para defender a nação de futuros ataques, o que levou autoridades tanto republicanas quanto democratas a tratar dessa ameaça como uma prioridade.
O acontecimento fez os EUA estabelecerem uma abordagem preventiva e agressiva contra o terrorismo internacional.
Quarenta e cinco dias depois dos ataques, o governo de George W. Bush sancionou o USA PATRIOT Act, uma lei que ampliou drasticamente os poderes de vigilância e investigação das agências federais americanas. A lei aumentou a capacidade de vigilância das autoridades, incluindo a interceptação de telefonemas, facilitou a comunicação entre agências no combate ao terrorismo e ampliou as penas para crimes de terrorismo.
As novas medidas criaram uma disputa que ainda não terminou. Algumas organizações, como a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), argumentaram que as disposições da lei autorizavam a espionagem doméstica e violavam o direito à privacidade e ao devido processo legal. Críticos afirmam que a nova legislação autoriza a detenção por tempo indefinido de imigrantes sem julgamento e de permitir buscas em propriedades sem consentimento ou conhecimento do proprietário, o que levou a diversos questionamentos judiciais — alguns tribunais federais chegaram a declarar certos trechos inconstitucionais. Partes da lei foram revisadas ao longo dos anos, sendo substituídas em 2015 pelo USA Freedom Act, mas o debate sobre o equilíbrio entre segurança nacional e liberdades individuais permanece até hoje.
Guantánamo: o símbolo mais duradouro da "guerra ao terror"
Se o Patriot Act mudou as regras dentro dos Estados Unidos, a criação da prisão de Guantánamo em 2002 mostrou como o governo americano decidiu tratar suspeitos de terrorismo fora do alcance do próprio sistema judicial do país. Instalada em uma base naval em Cuba — portanto fora do território americano —, a prisão foi criada sob o argumento de que os detidos, classificados como "combatentes inimigos ilegais", não teriam direito de recorrer à justiça americana.
Ao longo de mais de duas décadas, cerca de 780 homens de diversos países passaram pela infame prisão cubana, a maioria sem nunca ser formalmente acusada de nenhum crime. Organismos internacionais criticaram duramente essa política: especialistas independentes da ONU classificaram Guantánamo como um local marcado pelo uso sistemático de tortura e tratamento cruel. O caso se tornou um dos maiores símbolos de como o combate ao terrorismo, para seus críticos, acabou colidindo diretamente com os princípios de direitos humanos que os próprios países ocidentais dizem defender.
O rosto muçulmano do terrorismo
Um dos efeitos mais duradouros do 11 de setembro não foi nem sequer legal ou militar, mas sim social: a associação quase automática entre islamismo e terrorismo quase que se instalou no imaginário ocidental. Os números mostram isso com clareza. Segundo dados do FBI, os crimes de ódio contra muçulmanos nos Estados Unidos saltaram de 28 casos registrados em 2000 para 481 em 2001 — um salto que nunca mais voltou aos patamares anteriores ao ataque, mesmo décadas depois.
O próprio presidente George W. Bush tentou conter essa onda dias após o ataque ao visitar um centro islâmico em Washington e declarar publicamente que o terrorismo não representava a verdadeira fé do Islã — mas o estigma já estava formado e se mostrou resistente ao tempo. Pesquisas do Pew Research Center mostram que a parcela de americanos que associa o Islã a mais violência do que outras religiões saltou de 25% em 2002 para 51% em 2026, um quarto de século depois dos ataques.
O resultado foi a consolidação de um estereótipo que passou a moldar a política de imigração, a vigilância, o perfil racial em aeroportos e até debates eleitorais nas décadas seguintes — um efeito colateral do 11 de setembro que atingiu diretamente milhões de pessoas que não tinham nenhuma relação com o atentado.
Afeganistão e Iraque: as duas guerras que definiram uma geração
A resposta militar mais direta ao 11 de setembro veio poucas semanas depois com a invasão do Afeganistão, iniciada em 7 de outubro de 2001 com o objetivo declarado de desmantelar a al-Qaeda e derrubar o regime talibã que a abrigava. O que era visto como uma operação pontual se transformou na guerra mais longa da história dos Estados Unidos. O conflito só terminou em agosto de 2021, quando o Talibã retomou o poder poucas semanas antes da retirada final das tropas americanas — praticamente devolvendo o país à situação anterior à invasão.
O custo humano foi altíssimo: cerca de 2.324 militares americanos, quase 4 mil contratados militares e mais de mil soldados aliados morreram, além de pelo menos 46 mil civis afegãos e 70 mil integrantes das forças de segurança do país; o custo financeiro para os EUA ultrapassou os US$ 2,3 trilhões.
Já a guerra do Iraque, iniciada em 2003, tem uma origem mais controversa. O governo Bush justificou a invasão alegando que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa e mantinha ligações com grupos terroristas. O problema é que essas armas nunca foram encontradas.
Anos depois, o próprio Secretário de Estado na época Colin Powell reconheceria o episódio como uma mácula em sua carreira. A guerra se estendeu até 2011, alimentou uma insurgência sangrenta e, segundo diversos analistas, o vácuo de poder deixado no país contribuiu diretamente para o surgimento do Estado Islâmico.
Juntas, as duas guerras — muitas vezes analisadas sob o termo de "guerra ao terror" — mudaram profundamente o Oriente Médio e a política externa americana, deixando um legado de instabilidade regional que persiste até hoje.
O aeroporto que conhecemos hoje nasceu naquele dia
Se as mudanças legislativas e militares aconteceram nos bastidores da política, a transformação mais visível no cotidiano das pessoas comuns aconteceu nos aeroportos. Antes de 2001, qualquer pessoa podia acompanhar familiares e amigos até o portão de embarque, e o documento de identidade só passou a ser exigido para passar pela segurança a partir de 2002.
Em novembro de 2001, os Estados Unidos criaram a TSA (Transportation Security Administration), que centralizou a segurança da aviação, tirando essa responsabilidade das próprias companhias aéreas e estabelecendo padrões nacionais de inspeção. Itens antes corriqueiros na bagagem de mão, como canivetes e estiletes — as armas usadas pelos sequestradores em 2001 — passaram a ser proibidos, e as portas das cabines passaram a ser reforçadas e trancadas por dentro.
A regra dos líquidos surgiu somente em 2006 depois que serviços de inteligência frustraram um plano de atentado com explosivos líquidos em voos transatlânticos. A famosa regra "3-1-1", que limita a quantidade de líquidos, géis e aerossóis permitidos na bagagem de mão, veio como consequência direta desse episódio. Nas últimas duas décadas, essas medidas só se tornaram mais sofisticadas: scanners corporais, tomografia computadorizada e, mais recentemente, reconhecimento facial, passaram a fazer parte da rotina de quem viaja de avião.
*Reconhecido como grupo terrorista na Rússia e proibido em seu território