Os atos de pirataria ao longo da costa da Somália contra navios de carga e embarcações menores aumentaram drasticamente em meio à escalada no conflito no Oriente Médio e a instabilidade política na Somália, segundo relatou o The Guardian na terça-feira (8).
Desde o final de abril ocorreram oito sequestros, dois deles em agosto, um tendo como alvo um navio-tanque ligado ao Irã, e o outro, uma embarcação com bandeira de Camarões, o Lutuf, que transportava equipamento militar para a Turquia.
O caso de maior destaque foi o Lutuf. O caso involve a Turquia, que, segundo um acordo assinado em 2024 com Mogadíscio, ajudou a construir a marinha do país africano, expandindo assim sua influência política na região. A libertação do navio requiriu uma operação conjunta dos países e levou à destruição de quatro embarcações piratas. No entanto, um resgate de US$ 2,5 milhões foi pago durante a operação, o que levanta a questão sobre se isso não encorajaria mais sequestros.
Os ataques ocorrem em meio ao aumento dos preços do petróleo, o que torna o sequestro de navios petroleiros mais lucrativo.
O consultor de segurança nacional do centro da Segurança Marítima, Matthew Reisener, alertou que as campanhas navais no Estreito de Ormuz e dos Houthis do Iêmen no Mar Vermelho — lançadas em resposta à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã — estão permitindo que a pirataria "volte a prosperar" na região.
Cerca de 70% do tráfego marítimo que anteriormente passava pelo Mar Vermelho está sendo redirecionado para atravessar o Cabo da Boa Esperança na África, o que fomenta a atividade de piratas ao longo da costa africana.