A Polícia Federal intimou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente Roberto Campos Neto para depor como testemunhas na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. O dono do BTG Pactual, André Esteves, e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, também prestarão depoimento. A informação foi publicada nesta quarta-feira (9) pelo O Globo.
Os quatro foram citados no depoimento do ex-diretor do BC Paulo Sérgio Souza, investigado por receber propina do banqueiro Daniel Vorcaro para favorecer o Master. Souza nega as irregularidades. O inquérito apura se ex-servidores da instituição prestaram consultoria informal ao banqueiro em troca de vantagens financeiras.
A defesa de Campos Neto afirmou que não foi notificada pela PF. Procurados, o Banco Central e o BTG ainda não haviam se manifestado sobre a intimação.
"A defesa de Roberto Campos Neto esclarece que jamais foi intimada e sequer tinha conhecimento da existência do alegado despacho de 3 de agosto. Se, de fato, existe determinação para que Roberto Campos Neto seja ouvido, é lamentável que tal informação tenha sido vazada à imprensa. Sem acesso ao documento, a defesa não tem como confirmar sua existência, autenticidade ou teor", afirmaram os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti em nota.
Relatos à PF
Em interrogatório, Souza afirmou que discutiu supostas irregularidades do Master com Galípolo e Aquino antes de o banco ser liquidado pelo BC. Também relatou que, no fim de 2024, o BTG comunicou a descoberta de uma fraude bilionária praticada pelo Master em uma reunião da qual Campos Neto participou.
O inquérito está próximo da conclusão. Antes de elaborar a lista final de indiciados, a PF costuma ouvir todos os investigados e citados. Na condição de testemunhas, os quatro são obrigados a dizer a verdade.
Vorcaro prestou depoimento em 28 de agosto e afirmou que Souza não favoreceu o Master nos processos do Banco Central. O banqueiro, porém, admitiu ter feito um "agrado" ao ex-servidor ao apoiar uma viagem de sua família à Disney, nos Estados Unidos.
Investigação interna
Souza e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana, também foram alvos de uma investigação interna sobre o escândalo do Master. A sindicância foi aberta por decisão de Galípolo no fim do ano de 2025. As informações encontradas foram encaminhadas à PF.
Ex-diretor de Fiscalização do BC, Souza foi afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal. Sua defesa tenta demonstrar aos investigadores que ele não favoreceu o Master nos processos da instituição.
Souza autorizou a compra do Banco Máxima por Vorcaro, que depois passou a se chamar Master. Mais recentemente, atuava como chefe-adjunto do Desup, responsável por acompanhar a solidez e a estabilidade do mercado financeiro.
Belline chegou a ser cotado para a diretoria de Fiscalização e assinou ofícios e despachos do BC enviados ao Ministério Público Federal sobre o Master.