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Imperialismo de olho na Amazônia: DiCaprio e bilionário americano avançam sobre terras brasileiras

Ator divulga "Yanuni"; projeto da Re:wild com fundo de Jeff Bezos recebeu US$ 200 milhões para conservação.
Imperialismo de olho na Amazônia: DiCaprio e bilionário americano avançam sobre terras brasileirasGettyimages.ru / Jeff Kravitz/FilmMagic/Chesnot

Leonardo DiCaprio denunciou a devastação e a contaminação dos rios provocadas pela mineração ilegal de ouro no Xingu. A declaração foi feita ao divulgar o documentário brasileiro "Yanuni", do qual é produtor.  A informação foi publicada pelo jornal O Globo nesta segunda-feira (8).

"A destruição causada pela mineração ilegal de ouro na Amazônia não para nas árvores. As operações liberam mercúrio nos rios, contaminando os peixes que as pessoas comem e a água que bebem, causando danos duradouros à saúde humana", escreveu o ator nas redes sociais.

DiCaprio afirmou ainda que, para as comunidades do Xingu Médio, o garimpo representa um ataque à alimentação, aos remédios e à sobrevivência. "Yanuni" foi lançado gratuitamente no YouTube no sábado (5), Dia da Amazônia.

Influência de Jeff Bezos

Em agosto, a Re:wild, ONG do ator, lançou em parceria com a Bezos Earth Fund, fundação do bilionário norte-americano Jeff Bezos, o Phoenix Species Project. A iniciativa recebeu aporte inicial de US$ 200 milhões (aproximadamente R$ 1,03 bilhão) para apoiar a conservação de espécies ameaçadas.

Bezos é fundador da Amazon e criador do Bezos Earth Fund, lançado em 2020 com o compromisso de destinar US$ 10 bilhões (aproximadamente R$ 50,9 bilhões) a iniciativas de combate às mudanças climáticas e à perda de biodiversidade até 2030. A fundação informa ter destinado US$ 100 milhões a 33 projetos na Amazônia brasileira.

O volume de recursos também provocou questionamentos sobre a influência exercida pelo fundo na agenda ambiental. Em reportagem publicada em 2024, o The Guardian mostrou que especialistas demonstraram preocupação com o poder adquirido pelo Bezos Earth Fund sobre organizações ligadas ao clima e à biodiversidade.

Entre as críticas citadas estão o financiamento de iniciativas favoráveis a mecanismos de mercado, como créditos de carbono, e o risco de vozes científicas e políticas independentes perderem espaço.

Passagem pelo Brasil

Na última semana, DiCaprio passou seis dias no Brasil em uma agenda dedicada à conservação ambiental, com visitas a projetos e comunidades da Amazônia, do Pantanal e do Cerrado apoiados pela Re:wild.

O ator também se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros para discutir proteção de ecossistemas, biodiversidade e territórios indígenas. Segundo a Re:wild, a conversa tratou ainda dos direitos dos povos originários.

No Alto Xingu, DiCaprio voltou à comunidade Yawalapiti, que havia visitado em 2004. Ele também se encontrou com o cacique Raoni, personagem do documentário "Raoni: a voz da floresta", produzido pelo ator e em fase de finalização.

A Re:wild trabalha com mais de 600 parceiros no mundo e apoia a conservação de aproximadamente 239 milhões de hectares. No Brasil, são mais de 50 organizações parceiras.