Reino Unido proíbe comércio com assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada

Medida marca reconfiguração nas relações com Israel após expansão do projeto E1, que cortaria território palestino. Decisão gerou ameaças de retaliação israelense.

O Reino Unido anunciará uma proibição ao comércio de produtos oriundos de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada nesta terça-feira (8), conforme confirmou o ministro das Pensões Pat McFadden, citado pelo jornal The Times of Israel.

A medida, apresentada pelo chanceler Ed Miliband ao parlamento britânico, marca uma reconfiguração significativa nas relações do país com Israel.

O primeiro-ministro Andy Burnham, no cargo desde julho, conversou com o presidente americano Donald Trump na segunda-feira (7) para enfatizar "a importância da solução de dois Estados", em referência às sanções iminentes.

Segundo a imprensa britânica, as restrições devem abranger tanto bens quanto serviços, incluindo financiamento e publicidade de assentamentos ilegais. As medidas vão além de sanções anteriores, que miravam colonos individuais e dois ministros israelenses, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich.

O comércio total entre Reino Unido e Israel alcançou 6 bilhões de libras em 2025. Desde 2005, produtos de assentamentos israelenses já não recebem tratamento tarifário preferencial no Reino Unido. As novas medidas tornam ilegal esse comércio.

Expansão na Cisjordânia

A decisão surge após Israel abrir licitações para construção de aproximadamente 1.200 residências na área E1, leste de Jerusalém — projeto que efetivamente cortaria a Cisjordânia ao meio a partir de novembro, inviabilizando um Estado palestino contíguo.

Miliband classificou a iniciativa como "ilegal segundo o direito internacional" e "o cruzamento de uma linha vermelha" durante se pronunciamento ao Parlamento no início de setembro.

Organismos da ONU e a maioria dos governos, incluindo o britânico, consideram os assentamentos israelenses ilegais conforme legislação internacional, classificando a Cisjordânia como território sob ocupação militar israelense.

Israel argumenta que o território é disputado e que judeus possuem direito histórico à região.