O mundo moderno sofre cada vez mais intensamente o problema da solidão. Especialistas da área da saúde alertam sobre o fenômeno. Em alguns países, já foram criados ministérios específicos para lidar com a solidão — uma resposta institucional a esse novo desafio.
Mais do que um simples sentimento de tristeza, ela está associada a pior bem-estar, prejuízos à saúde física e mental e a um risco maior de morte precoce.
O número de pessoas que se sentem desconectadas do resto do mundo vem aumentando gradualmente. Em 2023, a empresa internacional Gallup realizou uma pesquisa em 142 países e constatou que uma em cada quatro pessoas com mais de 15 anos se sente muito solitária. O maior índice de solidão foi registrado entre jovens de 19 a 27 anos.
Nos países de alta renda, 15,7% das pessoas relataram sentir solidão, incluindo 16,2% na Nova Zelândia e 17,8% na Austrália. Já nos países de baixa renda, quase uma em cada três pessoas (31,3%) afirmou se sentir solitária.
Os resultados do trabalho foram publicados em 26 de junho na Revista Europeia de Epidemiologia.
O que causa a solidão?
De acordo com o relatório da OMS, a solidão e o isolamento social têm origens variadas: saúde frágil, baixa renda, pouca escolaridade, morar sozinho, políticas públicas insuficientes ou ineficazes e infraestrutura comunitária precária. O relatório também aponta a influência das tecnologias digitais e alerta para os impactos do tempo excessivo em telas e das interações online negativas sobre a saúde mental dos jovens.
Lições para enfrentar
O estudo mostra que não há uma solução única para a solidão.
Em países mais pobres, o caminho passa por reduzir a pobreza, melhorar a saúde e ampliar a proteção social. Já em nações ricas, o investimento em espaços públicos, organizações comunitárias e oportunidades de criar laços de confiança é tão importante quanto os serviços de saúde mental.
A solidão, segundo os pesquisadores, não é apenas um problema individual — ela também reflete a qualidade das sociedades em que vivemos. Combatê-la pode melhorar o bem-estar, a produtividade e fortalecer comunidades inteiras.