Preço do frete deverá subir em todo o mundo devido a restrições no Canal do Panamá

País caribenho decidiu limitar a travessia nas eclusas devido à seca provocada pelo El Niño.

O Canal do Panamá passou a limitar a travessia de embarcações pela hidrovia comercial, o que pode levar a um aumento nos custos de frete em todo o mundo. 

A medida, que entrou em vigor na última sexta-feira (4), deve-se ao fenômeno El Niño, que provocou uma seca que dificulta o funcionamento das eclusas do canal. Em vez de 36 navios por dia, apenas 32 poderão passar a partir de 15 de setembro.

A rota, por onde passa cerca de 5% do comércio mundial, se tornou ainda mais relevante, já que as tensões em outras rotas, como o Estreito de Ormuz — causadas pelo ataque dos EUA — a colocaram no mapa como uma alternativa para o fluxo de navios.

A maioria dos navios garante sua passagem pelo canal com meses de antecedência, enquanto que os demais competem pelas vagas disponíveis por meio de leilões. A restrição, mesmo antes de entrar em vigor, elevou os preços dos lances: em agosto, um valor recorde de US$ 5,3 milhões foi pago pela passagem em 1º de setembro, segundo relatos da imprensa.

Dilema da água

Na semana passada, Erick Córdoba, responsável pela gestão das águas do canal, previu que não haveria "sinais de recuperação a curto prazo" para a situação, uma vez que o déficit de chuvas foi "35,8% menor que a média histórica" entre abril e agosto.

"Temos séculos de experiência monitorando as condições atmosféricas no mar, mas nunca antes documentamos um evento da magnitude prevista para este", afirmou Steve Paton, diretor do Programa de Monitoramento Físico do Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical, ao jornal El Nuevo Día.

O impacto não se limita apenas ao comércio. Um dos desafios enfrentados pelas novas autoridades do canal é não só manter a relevância da rota apesar do evento climático, mas também garantir o abastecimento de água para a população sem interromper as operações de navegação.