Em entrevista à Bloomberg neste domingo (6), Jordan Bardella –, presidente do partido francês de direita Reagrupamento Nacional, que pode se tornar primeiro-ministro caso Marine Le Pen vença as eleições presidenciais de 2027 –, defendeu uma mudança na política da França de apoio à Ucrânia.
De acordo com Bardella, o país deveria receber garantias econômicas em troca da continuidade da ajuda financeira aos ucranianos.
"Estamos afundando em dívidas. Estamos afundando em déficits. E é irresponsável assumir compromissos de gastos e promessas de apoio financeiro a um país sem quaisquer garantias", afirmou Bardella.
O político foi questionado sobre as declarações do vice-presidente do Reagrupamento Nacional, Louis Aliot, que havia dito à televisão francesa que, se Le Pen vencesse a presidência, teriam que "fechar a torneira" da ajuda militar e financeira a Kiev.
Bardella esclareceu que "não se trata de abandonar a Ucrânia", observando que a França tem seus compromissos. No entanto, argumentou que Paris "não pode financiar indefinidamente um esforço de guerra sem nada em troca".
Seguir exemplo dos EUA?
Bardella elogiou o modelo dos Estados Unidos de exigir compensação de Kiev pelo apoio recebido, observando que Washington solicitou acesso a elementos de terras raras como garantia para empréstimos e auxílios concedidos, e criticou seu país por entregar recursos que "não possui mais" sem receber nada em troca.
"Os americanos, pelo menos, tiveram a inteligência de exigir algo em troca, usando elementos de terras raras como garantia para os empréstimos e recursos fornecidos à Ucrânia", observou.
Ele sugeriu que a Ucrânia poderia garantir que o apoio financeiro recebido dos países europeus seja usado exclusivamente para a compra de equipamentos das indústrias de defesa dos países correspondentes.