O sistema de compras militares da Ucrânia continuou concedendo novos contratos a empresas e executivos sob investigação, mesmo após a identificação de graves problemas no fornecimento de armamentos, informou neste domingo (6) o The New York Times, que teve acesso a auditorias do governo ucraniano e a outros documentos.
A documentação revela um padrão de má gestão e poucas consequências por descumprimentos contratuais, sobrepreços e entregas de equipamentos defeituosos. Um dos casos mais emblemáticos veio à tona em 2024, quando unidades de artilharia receberam projéteis de morteiro que não explodiam ou apresentavam falhas de funcionamento.
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Uma investigação posterior concluiu que uma fábrica ucraniana havia fornecido milhares de munições defeituosas. Seu diretor, Leonid Shiman, foi preso. Apesar disso, segundo as auditorias obtidas pelo jornal, a Agência de Aquisições de Defesa da Ucrânia continuou concedendo contratos à mesma fábrica.
Sete dos dez maiores fornecedores militares da Ucrânia obtiveram novos contratos apesar de investigações criminais por fraude, histórico de descumprimentos ou até da prisão de executivos por corrupção, concluiu a análise do jornal.
Desperdício e má gestão
Auditorias confidenciais do Serviço Estatal de Auditoria e de uma unidade interna do Ministério da Defesa da Ucrânia mostraram que empresas obtiveram contratos públicos sem comprovar capacidade para fornecer os produtos e, em alguns casos, sem sequer possuir as licenças necessárias. Algumas companhias também voltaram a receber contratos mesmo após descumprirem acordos anteriores.
As auditorias internas apontaram que, somente em 2024, as perdas decorrentes de "fraude, desperdício e má gestão" chegaram a US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6,48 bilhões). Parte dos prejuízos resultou da rejeição de propostas mais baratas e do pagamento de valores superiores, além de disputas envolvendo adiantamentos de contratos que fracassaram.
Os problemas se acumularam enquanto Vladimir Zelensky continua pedindo mais armas e ajuda financeira aos aliados ocidentais, além de ampliarem as tensões em torno da política de compras militares da Ucrânia e dos esforços para reformar o sistema.
Até o momento, as auditorias permanecem classificadas e não foram submetidas ao escrutínio público, segundo o jornal.