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Como o espaço entre a Terra e a Lua poderia se tornar um campo de batalha

Especialistas apontam que os países podem tentar controlar o espaço sem recorrer diretamente à força.
Como o espaço entre a Terra e a Lua poderia se tornar um campo de batalhaImagem criada por inteligência artificial

Pesquisadores aeroespaciais chineses da Universidade Politécnica do Noroeste, em Xi'an, apresentaram um estudo sobre como a guerra poderia um dia se estender ao vasto espaço entre a Terra e a Lua, com espaçonaves rivais perseguindo e evadindo umas às outras, tentando contornar defesas e até mesmo bloqueando rotas estratégicas, segundo reportagem do South China Morning Post neste sábado (5).

De acordo com os autores, à medida que a guerra moderna depende cada vez mais de capacidades espaciais, um conflito na Terra poderia se alastrar para o espaço cis-lunar: a vasta região onde a gravidade da Terra e da Lua determina o movimento das espaçonaves. Comparados aos satélites que orbitam relativamente perto da Terra, os veículos nessa região podem seguir trajetórias muito mais complexas sob a influência gravitacional de ambos os corpos.

Como seriam essas batalhas?

Os cientistas agruparam os potenciais conflitos cis-lunares em seis tipos: perseguição e evasão, ataque e defesa, bloqueio e contra-bloqueio, engano e identificação. Os cenários variam de encontros entre espaçonaves individuais a conflitos por regiões inteiras.

Em um cenário, iscas, manobras falsas ou informações enganosas poderiam confundir o oponente, fazendo-o desperdiçar combustível, revelar suas intenções ou perder uma oportunidade de agir. Também se prevê que espaçonaves poderiam se ocultar no complexo ambiente gravitacional ao redor da Lua antes de emergir e se deslocar em direção a alvos mais próximos da Terra, quando necessário.

Além disso, as espaçonaves também poderiam ser posicionadas perto de "pontos estratégicos" — regiões onde rotas importantes convergem ou que exigem pouco combustível — prontas para interceptar rivais e potencialmente forçá-los a mudar de rumo ou a tomar rotas menos eficientes.

"Sem recorrer diretamente à força, [um país poderia] compelir um adversário a mudar de rumo, atrasar uma missão, abrir mão de uma janela de lançamento ou incorrer em custos mais altos", alertou Dang Zhaohui, autor principal do relatório, que argumenta que o controle do espaço estaria em jogo.