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Alternativa à escassez de órgãos: Estudo inovador liderado por brasileiro mantém homem 271 dias sem diálise

Pesquisa liderada por Leonardo Riella, da Harvard Medical School, mostra que um rim de porco geneticamente modificado pode funcionar como ponte até um transplante humano.
Alternativa à escassez de órgãos: Estudo inovador liderado por brasileiro mantém homem 271 dias sem diáliseGettyimages.ru / Royalty-free

Um estudo liderado pelo médico brasileiro Leonardo Riella, professor da Harvard Medical School, mostra que um homem com doença renal em estágio terminal conseguiu permanecer 271 dias sem precisar de diálise após receber um rim de porco geneticamente modificado.

O resultado, publicado na quinta-feira (3) na revista científica The Lancet, representa o período mais longo já registrado em que um paciente humano permaneceu sem diálise após receber um rim suíno. O caso reforça o potencial da chamada xenotransplantação, o uso de órgãos de animais em seres humanos.

O paciente, identificado como Tim Andrews, tinha doença renal em estágio terminal e recebeu o rim suíno em janeiro de 2025. Antes do procedimento, ele dependia de sessões regulares de diálise, apresentava limitações significativas de mobilidade e enfrentava restrições em sua rotina.

O órgão, desenvolvido a partir de um porco geneticamente modificado, começou a funcionar após o transplante e permitiu que Andrews permanecesse sem diálise durante nove meses.

Rim suíno funcionou como "ponte"

A proposta dos pesquisadores não era necessariamente substituir de forma definitiva um rim humano, mas avaliar se o órgão suíno poderia funcionar como uma ponte até que um rim humano estivesse disponível.

Depois de 271 dias, o rim suíno deixou de funcionar adequadamente e foi retirado. Em janeiro de 2026, Andrews recebeu um rim de um doador humano falecido. O novo órgão apresentou funcionamento imediato.

Segundo os pesquisadores, o paciente não apresentou evidências de que o xenotransplante anterior tivesse provocado uma sensibilização imunológica que prejudicasse o transplante humano posterior.

O resultado é considerado relevante porque uma das principais dificuldades para o uso de órgãos animais em humanos é a resposta do sistema imunológico. Normalmente, o organismo reconhece o órgão transplantado como estranho e pode destruí-lo rapidamente.

Alternativa à escassez de órgãos

A escassez de órgãos é um dos principais desafios enfrentados pelos sistemas de transplante. No caso dos pacientes com insuficiência renal, a espera por um órgão compatível pode significar longos períodos de dependência da diálise, tratamento que substitui parte das funções dos rins, mas exige sessões frequentes e pode limitar a rotina dos pacientes.

Por isso, pesquisadores vêm estudando há décadas a possibilidade de utilizar órgãos de animais geneticamente modificados.

O estudo liderado por Riella apresenta uma possibilidade diferente: em vez de utilizar necessariamente um rim suíno como substituto permanente, o órgão poderia manter o paciente fora da diálise enquanto ele aguarda um transplante humano.

Para os pesquisadores, o caso demonstra que essa estratégia é tecnicamente possível, embora ainda sejam necessários novos estudos para determinar como prolongar a sobrevivência dos órgãos suínos e reduzir as complicações associadas ao transplante.