Nas últimas décadas, a energia nuclear recuperou um lugar de destaque na agenda energética global. No centro dessa estratégia está a Rosatom, uma corporação que reúne praticamente todas as etapas da indústria nuclear sob uma única estrutura: da construção de usinas nucleares à produção de combustível.
O que é a Rosatom?
A Rosatom é a corporação estatal russa que integra praticamente toda a cadeia da indústria nuclear: da mineração e enriquecimento de urânio ao projeto, construção e operação de usinas nucleares, produção de combustível e gerenciamento de combustível nuclear irradiado e resíduos radioativos. A corporação foi criada em 18 de dezembro de 2007, com base na Agência Federal de Energia Atômica.
A Rosatom também opera a frota russa de quebra-gelos nucleares. A atividade da companhia inclui também tecnologias relacionadas a energias renováveis, armazenamento de energia, hidrogênio e impressão 3D.
Da Ásia à África
No mercado internacional, a Rosatom se tornou uma das principais fornecedoras de tecnologia nuclear. No final de 2025, a empresa tinha acordos intergovernamentais com 12 países para a construção de 33 unidades geradoras, um portfólio sem precedentes no setor, e mais projetos se somam a esses, como a construção de um terceiro reator nuclear em Belarus, acordada em fevereiro.
Segundo o Diretor Geral da Rosatom, Alexey Likhachev, quatro unidades deverão entrar em operação até o final de 2026: uma na Turquia, uma em Bangladesh e duas na China.
Um dos projetos internacionais mais importantes é a usina nuclear de El Dabaa, no Egito, com quatro unidades e capacidade total de 4.800 MW. Sua construção emprega 25 mil trabalhadores. A entrada em operação dessas novas unidades de geração de energia permitirá ao Egito resolver parte dos seus problemas com fornecimento de eletricidade e reduzir a necessidade de medidas de racionamento de energia.
A situação energética em Bangladesh também é crítica: diante da escassez de gás e frequentes apagões, as autoridades implementaram medidas de conservação e cortes programados de energia. Bangladesh aguarda ansiosamente o comissionamento da primeira unidade da usina nuclear de Rooppur, construída pela Rosatom, como um passo importante para fortalecer a sua segurança energética.
A fórmula russa que atrai novos parceiros
Uma das principais vantagens da Rosatom é sua abrangência: a empresa pode participar de praticamente todo o ciclo de vida de uma usina nuclear, desde o treinamento de especialistas, projeto e construção, fornecimento de combustível, operação, gerenciamento de combustível irradiado e resíduos e, finalmente, o descomissionamento.
A Rússia é o único país que opera uma usina nuclear flutuante e, juntamente com a China, é uma das pioneiras na construção de pequenos reatores modulares. A Rosatom também está trabalhando em reatores de quarta geração, incluindo reatores rápidos como o BREST-OD-300, capazes de reutilizar o combustível nuclear e reduzir o volume de resíduos.
"Nos países onde atuamos, estamos criando indústrias inteiras, com suas próprias bases científicas e regulatórias, localizando a produção e treinando especialistas. Essencialmente, estamos criando soberania tecnológica para nossos parceiros", afirmou Likhachev.
Enquanto o ocidente abandonou investimentos na tecnologia, a Rosatom continuou o desenvolvimento da energia nuclear como um alternativa segura, limpa e eficiente, permitindo que a Rússia se consolidasse como o principal ator no setor. 90% de todos os reatores nucleares exportados no mundo são produzidos pela Rosatom.
A Rosatom também ocupa o primeiro lugar global em enriquecimento de urânio (36% do mercado mundial) e é uma das principais produtoras de urânio e combustível nuclear. A empresa continua a expandir e buscar novos parceiros, e até mesmo o Brasil pode se tornar um deles no futuro.