Gigante asiático quer blindar seus céus com a tecnologia militar russa mais avançada

Além da venda de armas, acordo entre os países busca ampliar a pesquisa conjunta e a manutenção de sistemas, consolidando uma parceria estratégica iniciada ainda na era soviética.

A Índia está avaliando a aquisição de novos sistemas de armas russos, entre eles o de defesa antimísseis S-500 Prometey e o caça de quinta geração Su-57. Os equipamentos estiveram entre os temas de defesa discutidos pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e pelo presidente russo, Vladimir Putin, à margem da cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai (OCX), segundo informou o The Economic Times na terça-feira (1º).

Escudo russo já demonstrou sua eficácia

O interesse pelo S-500 surge em um cenário especialmente favorável aos sistemas russos. A Índia já opera quatro dos cinco esquadrões de S-400 adquiridos da Rússia. O sistema foi empregado durante a Operação Sindoor, em 2025, no confronto com o Paquistão, e fontes indianas afirmaram que teve papel importante na interceptação de mísseis e drones. O desempenho do S-400 chegou a ser classificado por altos comandantes militares e analistas como um "escudo impenetrável". Após a operação, Nova Delhi chegou a solicitar unidades adicionais do sistema.

O S-500 permitiria acrescentar uma nova camada à defesa aérea indiana. Enquanto o S-400 é destinado principalmente a combater aeronaves, drones, mísseis de cruzeiro e outros alvos aéreos, o novo sistema russo foi desenvolvido para enfrentar ameaças balísticas e hipersônicas em altitudes mais elevadas. Os dois complexos poderiam, assim, atuar de forma integrada dentro de uma arquitetura de defesa em diferentes camadas.

O caça que pode mudar o equilíbrio nos céus

O Su-57 representa outro componente importante da possível parceria. Em dezembro de 2025, o diretor-geral da Rostec, estatal russa do setor de defesa, Sergey Chemezov, confirmou que a Rússia havia apresentado oficialmente à Índia suas propostas para o caça de quinta geração e estava disposta a instalar sua produção em território indiano. Na ocasião, Nova Delhi afirmou que analisaria a proposta.

Para a Índia, a questão também tem uma dimensão estratégica. A Força Aérea indiana precisa ampliar sua frota de caças, enquanto a China avança rapidamente no desenvolvimento de suas capacidades aéreas de quinta geração. O Su-57 poderia atender parte dessa demanda enquanto o programa indiano de desenvolvimento de um caça de quinta geração segue em andamento.

Uma parceria militar construída ao longo de décadas

A possibilidade de novas aquisições se apoia em uma relação militar que começou ainda durante a União Soviética. Por décadas, a União Soviética e, posteriormente, a Rússia foram os principais fornecedores de equipamentos militares da Índia. A cooperação evoluiu da simples compra de armas para projetos conjuntos, produção sob licença e desenvolvimento tecnológico.

Entre os exemplos mais conhecidos estão os caças Su-30MKI, os carros de combate T-90 e o míssil de cruzeiro BrahMos, desenvolvido conjuntamente por empresas russas e indianas.

A Rússia continua sendo o principal fornecedor de armas da Índia, respondendo por aproximadamente 42% de suas importações totais de armamentos, apesar dos esforços recentes de Nova Delhi para diversificar seus fornecedores e fortalecer a iniciativa "Make in India".

O próprio governo indiano tem destacado repetidamente a importância dessa parceria. Narendra Modi já descreveu a Rússia como um parceiro histórico na área de defesa e ressaltou o apoio recebido em períodos nos quais a Índia tinha menos acesso a outros mercados.

A cooperação, portanto, deixou de se limitar à compra de armamentos e passou a envolver pesquisa, produção conjunta, transferência de tecnologia e manutenção de equipamentos.

A eventual aquisição do S-500 e do Su-57 se encaixaria justamente nessa nova fase da relação.

Para Moscou, o acordo representaria o fortalecimento de sua posição em um dos maiores mercados de defesa do mundo. Para Nova Delhi, significaria obter capacidades militares avançadas e, ao mesmo tempo, fortalecer sua própria indústria por meio da produção local.