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Alemanha aprova venda de armas para Israel no valor de centenas de milhões de dólares

A maior parte dos fundos alocados para o segundo trimestre será destinada a um importante projeto de defesa naval.
Alemanha aprova venda de armas para Israel no valor de centenas de milhões de dólaresGettyimages.ru / Michael Kappeler

As autoridades alemãs aprovaram exportações de armas para Israel no valor de US$ 930 milhões no período entre janeiro e junho, informou a revista Der Spiegel nesta quarta-feira (2). O valor foi divulgado em resposta a uma consulta parlamentar do partido Die Linke (A Esquerda).

Esse valor é quatro vezes maior que o aprovado para todo o ano anterior, quando a Alemanha se comprometeu a fornecer a Israel cerca de US$ 233 milhões em armas e equipamentos militares. A maior parte da verba destinada a 2026 corresponde ao segundo trimestre.

Segundo o governo, 67% dos fundos aprovados no segundo trimestre foram destinados a "um grande projeto na indústria de defesa naval". A iniciativa envolve o submarino INS Drakon, o modelo mais recente da classe Dolphin, construído pelo estaleiro naval alemão TKMS e equipado com um sistema de propulsão AIP. O submarino, capaz de permanecer submerso por duas semanas, partiu para Israel nesta terça-feira (1º).

Os 21% restantes das exportações correspondem à "cooperação entre empresas alemãs e israelenses no interesse da Bundeswehr [Forças Armadas Alemãs]". O restante do dinheiro será destinado a outros armamentos, excluindo armas de guerra.

"Dois pesos e duas medidas"

Lea Reisner, porta-voz para Assuntos Internacionais do Die Linke no Parlamento Alemão, descreveu a autorização das exportações como a continuação da política de "dois pesos e duas medidas" sem limites por parte do governo alemão.

"Enquanto Friedrich Merz ainda se mostrava supostamente indignado com as declarações desumanas de [Itamar] Ben-Gvir, Ministro da Segurança Nacional de Israel, seu governo promove a cooperação com um governo e um exército que enfrentam acusações de genocídio perante o Tribunal Internacional de Justiça, que apoiam a violência dos colonos na Cisjordânia e continuam a ocupar o sul do Líbano", afirmou.

O ministro de extrema-direita Ben-Gvir é o autor do controverso plano de instalar crocodilos em um fosso ao redor da prisão de Ketziot, no deserto do Negev, onde palestinos da Faixa de Gaza estão detidos.

Ben-Gvir também defendeu assassinatos seletivos em Gaza com o objetivo de matar "entre 30 e 40 pessoas" todas as noites. "Não apenas aqueles que representam uma ameaça imediata: há pessoas lá que não são dignas de viver. Elas não deveriam viver. Elas nem sequer são seres humanos", afirmou.