O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (3) que, após bombardear a Venezuela em janeiro de 2026 e depor seu presidente, Nicolás Maduro, os EUA "assumiram o controle" da nação sul-americana e colheram benefícios econômicos significativos, permitindo cobrir o custo dessa ação militar "cerca de 54 vezes".
"Assumimos o controle da Venezuela e já pagamos pela guerra cerca de 54 vezes. [...] A Venezuela está prosperando e indo maravilhosamente bem. Nós também. Estamos ganhando muito dinheiro e cooperando muito bem com a Venezuela. Derrubamos [o presidente Nicolás] Maduro, que era praticamente a pior pessoa do mundo naquela época. [...] Nós o removemos do poder. Sua esposa [a congressista Cilia Flores] também, que era uma figura importante", declarou o presidente em um evento público.
Ele também se referiu ao julgamento que Maduro e Flores enfrentarão "por crimes muito graves" e sugeriu que eles também poderiam por trazer criminosos venezuelanos aos EUA, uma acusação que ele tem feito repetidamente sem apresentar qualquer prova.
Melhorias para empresas americanas
Segundo Trump, a remoção forçada do presidente venezuelano teria trazido benefícios ao país, consistindo em melhorias para a nação bolivariana resultantes de investimentos que multinacionais americanas como Chevron e ExxonMobil estão fazendo para reabilitar a indústria petrolífera local, que foi severamente afetada por mais de uma década de duras sanções americanas:
"A Venezuela está agora em melhor situação do que esteve em muitos anos. E a ExxonMobil e a Chevron. E acredito que a Chevron anunciou hoje que investirá US$ 18 bilhões na reconstrução de toda a infraestrutura de seus campos de petróleo". Acrescentou que seu país está "extraindo milhões de barris de petróleo por semana, que são enviados para Houston para serem refinados".
As declarações do presidente seguem a visita a Caracas do Secretário de Energia dos EUA, Christopher Wright, para a assinatura de diversos contratos com a Chevron, a ENI e a General Electric, o primeiro passo dado no âmbito do acordo bilateral de petróleo firmado na semana anterior com as autoridades venezuelanas.
- Na sexta-feira (28), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou em suas redes sociais que seu governo chegou a um acordo petrolífero com as autoridades da Venezuela, que classificou como "o maior da história mundial". Segundo Trump, o acordo garante aos EUA "o controle majoritário" de mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo venezuelano - estimadas em cerca de 300 bilhões de barris -, além de permitir repor a reserva estratégica dos EUA. "É um presente da Venezuela ao povo dos EUA", afirmou na ocasião.
- Em seguida, a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou em comunicado a assinatura do acordo e o apresentou como resultado "do fortalecimento da relação entre Venezuela e Estados Unidos", que "facilitará um importante fluxo de investimentos destinado à recuperação e reconstrução de infraestrutura estratégica para o desenvolvimento" da indústria de hidrocarbonetos.
- Além disso, em mensagem à nação, Rodríguez detalhou, entre outros pontos, que o acordo terá duração de 25 anos e renderá ao Estado venezuelano ganhos estimados em US$ 209,335 bilhões, considerando um preço de US$ 65 por barril. A presidente encarregada também afirmou que a Venezuela manterá a propriedade e a soberania sobre seus recursos naturais.