
Novo 'míssil de precisão' dos EUA matou vários civis em sua estreia na guerra do Irã — imprensa

Os Estados Unidos mataram pelo menos 21 civis no sul do Irã no primeiro dia do conflito usando um novo "míssil de precisão" que apresentou um raio de destruição muito maior do que o alegado pelo fabricante, informou na segunda-feira (31) o grupo de monitoramento Airwars.

Teerã tem acusado repetidamente Washington de crimes de guerra desde que os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra a nação persa.
A análise da Airwars, baseada em imagens e relatos de testemunhas dos ataques de 28 de fevereiro de 2026 na cidade de Lamerd, documentou um raio de destruição de pelo menos 170 metros e confirmou a morte de 21 civis, incluindo sete crianças e duas mulheres. A arma utilizada foi um míssil Precision Strike Missile (PrSM) fabricado pela Lockheed Martin, que, segundo relatos, estaria sendo usado em combate pela primeira vez durante esta ofensiva. Os três projéteis atingiram três locais diferentes em menos de um minuto: o ginásio esportivo Shahid Naimi e os bairros residenciais de Shahrak Isar e Tal-e Khandagh.
Danos maiores do que revelado
Entre as vítimas, a mais distante do epicentro era um menino de 12 anos que morreu a mais de 50 metros da explosão. Uma menina de dois anos, que brincava no quintal de casa, e uma mulher com seu filho, em frente à residência, também morreram. Todos os ataques ocorreram em áreas residenciais ou em instalações esportivas civis.
O PrSM difere da maioria das munições pois sua detonação se dá entre 15 e 20 metros acima do solo, liberando dezenas de milhares de esferas metálicas em todas as direções, deixando milhares de marcas em prédios e ruas, em vez de uma única grande cratera. O site Airwars observa que o material promocional da Lockheed Martin sugeria um raio de fragmentação de aproximadamente 50 metros, um valor muito menor do que o observado em solo. O Pentágono negou a responsabilidade e alegou que as imagens correspondiam a um míssil Hoveyzeh iraniano, mas especialistas citados pelo The New York Times descartaram essa versão e confirmaram que os projéteis eram os PrSMs.
Não há relatos de ataques a alvos militares ou de mortes de combatentes nos incidentes. Michael Meier, ex-consultor jurídico do Exército dos EUA, observou que "seria difícil encontrar uma justificativa para usar o PrSM em uma área densamente povoada" e que, considerando um raio letal de 100 metros, "baixas civis são inevitáveis". O Departamento de Guerra concedeu à Lockheed Martin um contrato de US$ 8,4 bilhões em julho para acelerar a produção do PrSM e o Reino Unido também concordou em adquiri-lo, prevendo um aumento no uso dessa munição em futuros conflitos.
