Revista britânica The Economist compara Renan Santos a Javier Milei e destaca luta contra 'wokismo'

Publicação aponta candidatura como alternativa ao bolsonarismo e destaca propostas de reformas econômicas e transformação do Estado.

A revista britânica The Economist publicou na segunda-feira (31) um perfil do candidato à Presidência da República Renan Santos, do Missão, no qual compara sua trajetória à do presidente da Argentina, Javier Milei. A publicação destaca a defesa da economia de mercado, a atuação como outsider da política tradicional e a oposição ao chamado "wokismo".

Segundo a revista, Santos apresenta semelhanças com Milei por defender uma economia de livre mercado e ter construído sua trajetória política fora das estruturas tradicionais. Em 2014, ele fundou o Movimento Brasil Livre (MBL), que defendia a redução do tamanho do Estado, e ganhou projeção ao organizar manifestações contra o governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

A The Economist também chama atenção para a personalidade de Santos, descrito como um político confiante, que se considera um grande orador e costuma fazer críticas duras aos adversários. Aos 42 anos, ele disputa a Presidência com uma plataforma que, segundo a publicação, apresenta propostas para promover mudanças estruturais no país.

A reportagem destaca ainda a transformação do MBL em partido político, sob o nome Missão, em 2025. A legenda tem atualmente um deputado federal, Kim Kataguiri, e lançou 57 candidatos ao Congresso nas eleições de outubro. Para a revista, o projeto do grupo combina a busca por poder político com uma agenda de transformação cultural.

Combate ao "wokismo" e agenda econômica

A sede do Missão é descrita pela publicação como mais próxima de uma empresa de tecnologia do que de uma sede partidária tradicional. O local reúne programadores e um estúdio destinado à produção de vídeos para as redes sociais, onde o movimento possui cerca de 4 milhões de seguidores.

Segundo Santos, o investimento em comunicação é uma resposta ao chamado "wokismo" e à cultura do cancelamento. O candidato afirma que parte de sua geração passou de posições favoráveis ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à legalização das drogas para ser classificada como "fascista" por discordar de determinadas pautas identitárias.

Apesar da atuação na chamada guerra cultural, Santos afirma que essa não é a principal identidade do Missão. O jornal ressalta que a economia continua sendo o principal foco do partido, que se afastou de uma visão libertária mais radical e passou a defender uma atuação do Estado em áreas consideradas estratégicas.

A reportagem cita, como exemplo, a posição do partido em relação à Petrobras. Embora defenda a redução da influência estatal na economia, o Missão não considera necessária a privatização da empresa. Kim Kataguiri define a orientação como um "liberalismo pragmático e não dogmático".

O projeto do partido está reunido no chamado "Livro Amarelo", um manifesto de 350 páginas que apresenta propostas inspiradas em políticas públicas adotadas em diferentes países. Entre os exemplos estão o sistema de patentes da Dinamarca, mecanismos de avaliação de governos locais do Japão, o modelo de formação profissional da Alemanha, os investimentos em infraestrutura da China e a abordagem mais flexível dos Estados Unidos para a regulamentação da inteligência artificial.

Disputa pela direita brasileira

O jornal britânico afirma que Santos aparece nas pesquisas com intenções de voto de um dígito, mas observa que sua candidatura tem conquistado apoio de setores da direita insatisfeitos com a candidatura de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A reportagem também destaca que Santos critica a família Bolsonaro, que considera intelectualmente medíocre e corrupta. Ao mesmo tempo, aponta que o candidato pode enfrentar dificuldades para conquistar o eleitorado feminino devido a declarações e associações relacionadas à chamada "manosphere".

Segundo a revista, a maioria dos brasileiros ainda não conhece Santos. A campanha eleitoral, iniciada em 16 de agosto, seria uma oportunidade para ampliar sua exposição. A publicação avalia, porém, que a polarização política e a força das estruturas partidárias tradicionais dificultam a ascensão de candidatos outsiders.

Para o jornal, mesmo que Santos não vença a eleição presidencial deste ano, sua candidatura já representa uma alternativa ao bolsonarismo dentro da direita brasileira.